Dela lembro a ternura

Atualizado: 1 de abr.

Dela lembro a ternura, guardo o sabor do borrego assado no forno com batatas e no baú os vestidos floridos muito folhosos que vestia em criança nos domingos de feira. Nota mental: vou passar a usar os vestidos mais floridos nos domingos da feira de Agosto. Guardo as férias em sua casa, na vila, e em como me sentia feliz por "viver na vila" nem que fosse apenas por uma semana nas férias de Verão!



Guardo memórias da sua dedicação aos seus grandes amores, o meu tio, a minha avó e o meu pai, como se fosse seu filho.


Visitávamo-los todas as terças-feiras, a oficina muito quente com a salamandra acesa era a sala de estar enquanto o meu tio arranjava umas máquinas de costura, com toda a sua calma e paciência de homem que sempre conheci como o mais sábio e o que menos cursos tirou.


Despedi-me à pressa da Mulher que mais herdei o mau feitio mas também o coração grande. Eu também sou Batista nas horas, mesmo sem assinar, está no sangue! Diz-se aqui, batista, pancadista! Mas sei que eu e ela teremos todo o tempo do mundo para partilhar histórias, benzeduras, mezinhas e receitas! Já há muito que herdei panelas, bordados, toalhas, lençóis, uso tudo tal como ela usava. Os sobreiros, pinheiros, o monte e a terra que deixou, o meu pai continuará a guardar como quem guarda um tesouro.



Posts recentes

Ver tudo