Tens de andar na linha

Atualizado: 1 de abr.

No outro diz diziam-me que, num universo de 10 milhões de portugueses, 11 mil grandolenses como era possível eu sentir-me especial por 200 aprovarem o escrevia nas redes sociais... E em como algumas dessas pessoas tinham até pena dos meus filhos pelas coisas parvas que escrevia, que andava maluca outra vez...

Eu penso que realmente tenho que deixar de escrever coisas parvas, talvez demasiado feministas e começar a escrever merda para mostrar às pessoas de que está tudo bem, que as mulheres devem é estar caladinhas, a fazer o que lhes compete e baixarem a bola, para não levantarem cabelo, nem escreverem sobre aquilo que "fere" toda uma sociedade mas que ninguém quer ver.


Ontem também me diziam: tens de andar na linha e noutro dia diziam-me: cuidado com as tuas crónicas feministas! E noutro dia comentavam que eu andava com um amigo que até tem companheira e que até era um bom partido para me ajudar na taberna e trinta por uma linha.

A tampa saltou, andei uns dias a mastigar aquilo, chorei, tive insónias e faltou pouco para fechar a porta da minha taberna! Podem dizer muita coisa na aldeia sobre mim mas mentiras, alto e pára o baile! Cuidado mesmo! Eu sou sensível, empática e consigo ser estúpida ao mesmo tempo.



Sabem o quanto de dor, feridas, tristeza, desilusões carregam as almas que dizem tais coisas sobre uma mulher?!


Mas o que eu fiz foi mesmo esse exercício, olhar para essas pessoas de um lugar maior, levei o meu tempo a processar, mas hoje olho nos seus olhos e vejo a importância dos boatos: zero! Prefiro alimentar o lado humano destes homens. Somos todos vítimas de uma sociedade que reprime a vulnerabilidade nos homens, que lhes ensina a competir, a ter o melhor carro, as melhores ferramentas e a deixar o coração como uma pedra!


Foi o que fiz, silenciei e continuei a tratá-los como sempre, com respeito, admiração pelo seu trabalho, agradecendo por serem meus fregueses todos os dias!


Não há forma mais inteligente de educar as pessoas que nos magoam senão tratando-as como gostaríamos que nos tratassem, para encerrar o ciclo, agir em vez de reagir!


É preciso uma paciência gigante, uma amiga mesmo me dizia: como aguentas viver e trabalhar aqui num meio tão pequeno onde as pessoas todas te conhecem, falam, comentam...


Trabalhar numa taberna e viver numa aldeia é uma enorme honra e alegria mas também o meu maior desafio. Sou mulher, solteira, mãe de dois filhos, em busca de liberdade, respeito e aceitação por um coletivo que continua a dizer que nós devemos é estar caladinhas!


Caladinhas o caralho!

Posts recentes

Ver tudo