Na Aldeia

 



⚠️ Este post pode ter conteúdos muito sensíveis para os meus amigos e amigas crudívoros, veganos e macrobióticos. Podem ir às vossas vidas, a sério, falamos depois! 💗

Desde que me conheço por gente que existem matanças do porco aqui neste lugar, chamado de aldeia mas que raramente vem no mapa e ainda bem, assim mantenho as minhas janelas e portas escancaradas e saio à rua descansadinha da vida! Ainda existem sítios muito seguros no mundo e este é um dos que está no topo da lista! Eu passei um quarto de vida em busca de receitas vegetarianas, cruas, etc, etc, quando tinha, ao virar da esquina, a minha mãe e as minhas vizinhas a cozinharem tachadas de legumes e hortaliças vindas diretamente das suas hortas, carne diretamente dos seus galinheiros, peixe sempre fresco vindo da lota de Sines e tudo temperado com um bom azeite do Torrão, mesa sempre posta com pão, queijo e presunto do mercado mensal, vinho do vizinho, azeitonas retalhadas e temperadas aqui e outras relíquias com que eles se vão entretendo nas suas vidas e envelheceres ativos. Querem mesas e cozinhas com mais amor do que isto?! Mas esta semana fui dar com este "confinamento", 4 mulheres de roda da cozinha, como num círculo de mulheres (daqueles que as moças "arejadas" agora querem fazer, sabem?!) cozinhando, rindo, falando, aprendendo, curando, enchendo e picando linguiças! Esqueçam os distanciamentos, estamos com imunidade de grupo desde que apareceu essa bodega e vivemos em família desde então! Por isso...! Vamos lá: isto é todo um ritual de dedicação à arte que vai ficando esquecida por muitas de nós, eu tenho algum problema em mexer em carne crua, confesso, a mim ainda me parece que estas técnicas só se vão manter pelas mãos das mais rijas, como as Condessas da Silha! A minha proposta é outra: fazermos os mesmos temperos mas com legumes, mas sei que vai tudo mandar-me às urtigas e ninguém me vai "passar bilhete" não achas Marília Do Carmo? É claro que uma pessoa a comer linguiças destas é muito mais feliz, mas o meu estômago é muito florzinha de estufa para esta felicidade toda! Teria de tomar uns Gurosan e vocês sabem que não vou à bola com dar mais dinheiro a farmácias! Assim, fico-me pelo jejum e por uma ou outra rodela para ir alimentando as memórias brilhantes desta terra onde escolho viver e contribuir para manter vivas as tradições mais antigas deste lugar. Da aldeia, com amor e com o estômago quentinho de uma sopa de agriões ali da vala, feita por moi-même e inspiradíssima pelos sabores da mãe! Belinda

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