Amar-me nem sempre foi prioridade...


Amar-me nem sempre foi prioridade! Aceitar todas as imperfeições do meu corpo, da minha mente e do meu passado foi um caminho pantanoso, árduo, só com baixos e sem altos. Aceitar todas as dobras do corpo e todas as dobras da vida, que nos fazem humildar e reconhecer que somos perfeitamente imperfeitos. Tenho pés e mamas grandes, nariz e queixo de "bruxinha", rabo pequeno, perna grossa, mente louca e sempre que quis esconder tudo isso e ser uma pessoa perfeita e viver em estereótipos estúpidos de que devia ser assim ou assada, o universo só me empurrou para o abismo. A minha extrema sensibilidade ao mundo e às pessoas fez com que fosse diagnosticada de bipolar! A medicação, embora tenha sido importante, levou-me a um lugar amorfo de desespero, de perda da minha identidade, da minha essência, fez-me desejar a morte cedo demais! Agora passado mais de um ano e com a confiança do meu psiquiatra, fui deixando a medicação, cuidei de mim, priorizei-me, deixei de esperar que me respeitassem e comecei a olhar para mim como uma mulher e mãe incrível que, sim passou as passas do Algarve mas que soube começar a mudar o diálogo que tinha para consigo! A minha vida mudou, a minha essência rejubilou! Não fazem ideia dos dias que estive perdida, a achar-me a pior mãe do mundo, a não ter interesse por nada a não ser dormir e comer! Quando o meu pai, o médico ou os amigos me olhavam e perguntavam se eu estava bem, eu dizia sempre que sim, apática, entorpecida! Tinha desistido de tudo! Tinha um trabalho com que não me identificava, filhos que não cuidava, uma casa apagada em memórias de uma relação e família falhadas! Sim, hoje agradeço tudo porque sei que foi esse TUDO que me trouxe aqui. O caminho continua... E que bom que assim é!

Uma dica que resultou comigo: "o que mais amavam fazer em criança?" Pois foi quando voltei a dançar que a minha essência voltou a manifestar-se na minha vida! ✨

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