As histórias de uma moça alentejana nos Açores - 6º e último dia






6°e último dia - quarta-feira, 9 de Setembro.
O despertar foi mais pesado para mim, tinha comido demasiado ao jantar. Não, o vinho já o uso com parcimónia, depois das últimas duas vezes que o bebi e que me levaram a um estado subtil de embriaguez e onde sinceramente fico a morrer de sono!
Fizemos uma última partilha, enchemos as malas daquele verde esperança e preparámo-nos para sair.
Na espera por seguir caminho a pé, mais uma vez, ali não existiam carros, só moto-quatro, vimos chegar um professor e os seus alunos da universidade dos Açores que nos pediram permissão para filmar para um documentário sobre biodiversidade na Fajã da caldeira de Santo Cristo.
Aproveitamos para discutir ideias sobre as pedras empilhadas por humanos que aparecem cada vez mais na paisagem e que, descaracterizam os lugares. As pessoas que fazem estas "construções" de pedras, fazem-no com a melhor das intenções mas na verdade estão a alterar o aspeto daquele ecossistema.
Falámos também da quantidade enorme de espécies invasoras na ilha como a conteira, o aloe vera e outras e da importância de usar plantas autóctones.
Partimos então em direção à Fajã dos Cubres. As malas iam de moto quatro até ao táxi que nos esperava.
No caminho os dóceis animais, Petra e Aqua, os cães do nosso alojamento acompanhavam-nos.
A igreja de Nossa senhora de Lourdes em Fajã dos Cubres, lá dentro a imagem ao centro da Imaculada Conceição em vez de Jesus na cruz.
As saudades dos meus filhos e da minha casa começavam a apertar.
Tínhamos ainda um mergulho para dar antes de partir e foi nas poças de Simão Dias, perto da Fajã do Ouvidor, que nos despedimos de São Jorge.
Uma despedida molhada pela terra e pelo céu. A chuva abençoava-nos na viagem de regresso a casa e dava-nos coragem para iniciar o Outono que se aproxima e todas as rotinas a ele associadas e ainda o medo instalado pelo maldito vírus que nos visitou este ano.
A próxima viagem já está marcada, será de carro e num registo diferente.
A novas aventuras me permito e eu, que sou moça da aldeia, por aqui não me fico.
Da aldeia, com amor
Belinda

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