Agradecer


Aterrei, a vida chama. Primeiro que tudo quero falar de gratidão. Essa palavra comumente usada nesta gíria de encontros de pessoas, retiros, imagens e textos partilhados. Gratidão é uma palavra que eu não sinto de usar sempre e para qualquer coisa. É uma palavra que eu guardo para me conectar a algo maior, a deus, à deusa, ao unviverso, aos elementos, a nossa senhora, ou até mesmo a pessoas ou situações que tocam de forma intensa o meu coração. Dizer obrigada parece ser visto como uma "obrigação" mas eu digo-o a maior parte das vezes e sinto que a nossa "obrigação" aqui é respeitarmo-nos uns aos outros e por isso a palavra obrigada faz, para mim todo o sentido em ser usada. Para mim, usar a palavra gratidão de forma repetida, no dia a dia em qualquer ocasião parece não sair-me da boca de forma natural, é uma palavra que representa uma profundidade maior de agradecimento. No entanto, eu não podia deixar de agradecer às coisas simples e repeti esta palavra várias vezes, por tudo o que acontecera, por tudo o que vira, por tudo o que aprendera, por todas as pessoas que conheci, as que chegavam comigo e as que estavam e ficavam naquele lugar. A experiência era profundamente rica, rica de simplicidade e muita presença tal como fora invocado no nome do retiro. Eu sentia-me merecedora desta aventura, há muito que sonhava voar para outro lugar, fazer trilhos no verde e azul da mãe terra, mergulhar em águas desconhecidas. Preferi recomeçar por um lugar próximo, uma vez que tenho dois filhos e podiam precisar de mim. Também tinha algum receio de ir sozinha, de já não me lembrar como se fazia, quis-me crer que viajar é coisa de quem é muito brava e eu não sentia ainda a bravura para viajar sozinha. Sou muito grata a mim por me ter permitido a esta experiência, por ter confiado nas mulheres que facilitaram a viagem e o retiro, sou muito grata a todas as presenças visíveis e invisíveis pela escuta ativa e presente, pelas respostas certeiras como uma flecha de amor e luz que atinge o coração. E de coração expandido eu reverêncio-me perante todos, especialmente perante as grande Mulheres que me levaram a este lugar e a esta experiência, à Rute Queiroz pela beleza e intensidade de seus ensinamentos que vão muito além do yoga, pelas conversas que confiámos partilhar, pelos insights à velocidade da luz, pelo caminho que traçamos até aqui juntas e sempre ligadas em histórias de vida muito semelhantes, à simplicidade e forma autêntica como facilita as suas práticas, ao respeito que tem para com os seus alunos.

À Liliana Ascensão pela firmeza e presença com que nos guiou nesta viagem, pela maravilhosa intensidade que coloca nas histórias que partilha e em tudo o que faz, pela festa, pelas conversas de alma, pela inspiração que é como mulher viajante.

Muito amor e reverência!

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