Terra Sana é um projeto que nasce de uma visão profunda de união entre as pessoas e a natureza através de práticas ancestrais, tradicionais e contemporâneas.

O nome para este projeto surgiu após um workshop realizado em 2014 mas só agora começa a ser revelado.
Acreditamos que a terra é um lugar sagrado que merece ser respeitado e cuidado por todos nós. É urgente despertar os lugares, as pessoas, as tradições conscientes e adequadas aos nossos tempos para que possamos continuar a viver neste planeta.
Faz like na nossa página no facebook e fica atenta (o) às nossas partilhas. Se quiseres saber mais para parcerias ou simplesmente para conhecer o projeto, contata-nos por mensagem privada.
Sê benvinda(o)! 🌱
Belinda
966439481
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Terra Sana is a project that is born from a deep vision of union between people and nature through ancestral, traditional and contemporary practices.
The name for this project came after a workshop held in 2014 but it is only beginning to be revealed.
We believe that the land is a sacred place that deserves to be respected and cared for by all of us. It is urgent to awaken the places, the people, the traditions conscious and appropriate to our times so that we can continue to live on this planet.
Like our page and stay tuned to our shares. If you want to know more about partnerships or simply to know the project contact us by private message.
Be welcome 🌱
Belinda
966439481
Nature as a medicine
° Ecology ° Medicines ° Experiments Lab ° Yoga ° Meditation ° Iberian Xamanism ° Dance ° Organic food º Retreats ° Gatherings ° Oficcines of the body and nature ° Tradicional, contemporary and artistic culture.
local 🌿eco e sustainable
Grândola, Alentejo

 


Bom dia!

É com esta energia do Equinócio de Outono que inicio hoje as aulas de yoga para grávidas em formato invididual e feitas ao domícilio com todas as regras de segurança para que possas estar segura e tranquila.
Informo-te que também estou disponível para facilitar aulas online em formato individual, caso assim prefiras e queiras ter uma experiência única e personalizada.
Nas aulas de yoga facilito exercicios de yoga suaves de acordo com a experiência e moblidade de cada mulher, exercicios de respiração e relaxamento, movimento orgânico.
No yoga para grávidas menos é mais!
Por isso toda a nossa prática será levada para um lugar de respeito pelo teu corpo e pelo teu estado físico, emocional e espiritual.
Para mais informações:
belindasobral@gmail.com
966439481





Quando eu era pequena a minha mãe conta, e eu lembro-me bem, que eu não parava perto dela, ela trabalhava muito e eu resolvia sozinha onde ia passar o meu tempo livre fora da escola. Percorria as casas da aldeia das amiguinhas da minha idade. Claro que a minha mãe ia-me buscar por uma orelha e colocava-me de castigo, eu a seguir pedia o lanche e estava outra vez pronta para correr dali para fora.

Mais tarde quando tirei carta, aos 18 anos, fui pela primeira vez conduzir o carro do meu pai, à noite, sozinha da aldeia onde moro até à vila mais próxima. A minha mãe ficava na rua a fazer uma tal reza mais ou menos assim: "que tenhas tanta vida quantos passos dás". Ela percebia que apesar do medo, eu era destemida e queria era sair para o mundo.
Por estes dias também tem sido um pouco assim. Estou sempre no verbo ir, de malas feitas para a próxima aventura, com filhos ou sem filhos, perto ou longe. Este Verão foi uma bênção pois pude estar mais tempo com os meus filhos e fazer muita praia e muitos passeios, pude também viajar sozinha.
Agora começa a ser tempo de regressar a casa e às rotinas do Outono, fazer mochilas, preparar lanches, passar a ferro, lavar, limpar, organizar. Há os dias em que fecho a porta e só nesse movimento a casa fica arrumada, viro costas e vou feliz sem me importar se há migalhas e brinquedos pelo chão. Mas há outros em que tudo deve estar em seus lugares. Altares limpos, janelas abertas, ar a circular, energia a mexer. Eu já não me culpo quando deixo um prato sujo de uma noite para o dia ou quando os brinquedos rebolam debaixo dos meus pés, fazendo um especie de reflexologia podal intensa. Quem nunca pisou um legozinho no escuro da sua casa?!
Este fim de semana decidi fechar a porta de casa com tudo o que ficou por fazer, fiz as malas em 5 minutos e mais uma vez rumei a outro destino, ao desconhecido, para fora da minha zona de conforto mas muito para dentro de algo que chama por mim já desde os meus primeiros anos, dançar. Antes de sair fui almoçar a casa dos meus pais e o meu pai dizia que eu não consigo estar sossegada em casa e fica preocupado. Eu respondo que tenho quase 40 anos e dispenso os conselhos de quem vive bem num raio de 10 kms. Essa não é a minha natural forma de ser e parada no mesmo sitio é sinal que algo vai mal comigo. Já fiquei parada tempo demais e pensei mesmo de ficar podre de tanto dormir e de tanta apatia nos meus dias. Aliás pensava mesmo que eu não voltaria a viver na mais verdadeira essência de mim. Previsões erradas. As minhas amigas e toda a família davam-me o alerta mas eu continuava a dormir para a vida.
Enquanto bailarina, comecei a expressar-me muito cedo de formas bem pitorescas, dançava em cima de bancos numa taberna, dançava a noite inteira nos serões passados com a minha avó Angela e dançava na rua, morrendo de vergonha sempre que alguém aparecia. Numa pequena aldeia fui sendo habituada a ir aos pequenos bailes que existiam por ali, vestia me a rigor e assim aprendi a dançar valsas, corridinhos e marchas, só no tango tinha dificuldades em acertar passo. Na minha adolescência comecei a ir a matinés e a discotecas. Ainda comecei a fazer dança contemporânea em Beja, enquanto estudava, mas parecia já ir tarde demais, o corpo não correspondia. Quando terminei o curso voltei a casa dos meus pais, a essa pequena aldeia. Eu queria mesmo dançar e por ali eu só conhecia o rancho folclórico da aldeia mais próxima. Então decidi ir. Vesti me mais uma vez a rigor com vestidos costurados à mão, sapatos de couro e todas as normas de um rancho federado. Mas haviam regras bem mais enraizadas, eu não podia mexer as ancas, nem agarrar o homem com quem dançava na parte de trás das costas. Era assim antigamente e havia que manter a tradição. Actuámos em vários palcos e várias vezes pensei de voar a dançar corridinhos daqueles super rápidos onde só ali as saias se levantam para mostrar as meias e todos os saiotes que haviamos vestido por baixo. Era emocionante. E eu adorava dançar aquelas músicas antigas, algo me era acordado naquelas melodias e danças de roda, como se os antigos quisessem falar comigo. Mais tarde o rancho acabou. Comecei a dançar em casa e comecei também a descobrir o andanças, um festival de danças tradicionais muito conhecido no nosso país. Eu nessa altura praticava apenas yoga e foi nessa união quando a dança entrou de forma romântica na minha vida através de kizombas, sembas, salsas, funanás. Depressa sairam, o yoga e a dança românticas. Ainda bem. Nos últimos anos dancei muito pouco.
Mas houve um dia, no início deste ano que vi um vídeo de dança em que eu senti ter me acordado, me despertado para algo. Algo ali mexeu comigo. Logo tentei inscrever-me no curso com a pessoa que postara o vídeo mas não foi possível acontecer. Adiei a aula com essa professora mas comecei a dançar mais sozinha em casa, com os meus filhos já dançava há mais tempo.
Quando estive nos Açores falaram me de um professor que eu já conhecera de um ecstatic dance em Lisboa, ele também estava na mesma ilha nesses dias, mas era impossivel fazer qualquer coisa com ele lá. Então fui ver e vi que ia haver um retiro bem perto de casa a poucos dias. Aproveitei os descontos deste tempo de pandemia e inscrevi me sem conhecer ninguém, sem conhecer o espaço.
Encontrei um espaço e pessoas que parecem dançar juntas há muitos anos. Entreguei me. A dança é uma forma de expressão e libertação que faz vibrar todo o meu ser. O meu maior sonho sempre foi ser bailarina, mas cedo na minha vida percebi que não tinha essa oportunidade. Agora tirar um mestrado em dança? Ir para a FMH? Bem... verdadeiras crenças limitadoras da sociedade e na minha cabeça.
As oportunidades estão em toda a parte. E dançar não precisa de palco. Precisa de chão, precisa de espaço. Precisa de corpo. Precisa de alma.
Dançar é poesia do corpo, é pintura da alma. É limpeza, é centramento, é inteireza.
A dança também já me levou a lugares estranhos, de profundo desenraizar, de êxtase, também necessários quando o corpo precisa mostrar que algo vai mal.
Por isso a dança reconetiva com a essência do ser é cura para as dores da alma. Religa nos e refaz pontes de conexão entre os elementos externos e internos da natureza humana e terrestre.
Este é todo um mundo novo em que eu me sinto verdadeiramente em casa, em que sou casa mas que me leva para outros lugares distantes em que eu pensava não ter oportunidades.
Por aqui avizinham-se longas aprendizagens. Não sei ainda como e quem. Mas comecei com as pessoas certas.
Desejem me sorte nesta viagem de encontro ao meu jeito de ser.
Bom domingo e lembrem-se de dançar.
"Assim na vida como na dança."

 


Aviso! Esta partilha, resultante da purificação desta última lua balsâmica, tem conteúdos delicados para pessoas mais sensíveis espiritualmente. Desaconselho a leitura, pois aconselho primeiro a tentarem caminhar com as minhas botas, já as descalcei e arrumei mas tinha de deixar esta mensagem em jeito de despedida!

Há muitas pessoas que gostam de partilhar os seus momentos, as suas reflexões, as suas imagens, os seus filhos de sangue ou por afinidade, os seus companheiros, a sua família, etc. Há outras que simplesmente as suas vidas não passam nas redes e essas eu admiro muito pois eu sou mais daquelas que não consegue ficar calada e se ficar calada muito tempo, é mau sinal, tenho o coração na boca, gosto de comunicar e de contar as minhas histórias, sem medos e sem auto críticas, faço o mesmo de coração. Claro que houve, no meio disto, uma fase que também não o fazia, sentia vergonha, tristeza e tinha medo que outras pessoas lessem as minhas partilhas e as julgassem de forma errada. Hoje em dia, felizmente ultrapassei isso, gosto muito de escrever os meus pensamentos e gosto de partilhá-los e é já desde 2011, ano em que criei o blog que o faço. Tive momentos menos instagramáveis e dignos de um bom drama. Mas hoje sinto-me feliz por partilhar as minhas pequenas vitórias e o meu caminho convosco. Se sou vaidosa, se tenho orgulho no meu caminho, tenho sim, e tenho também muito orgulho no meu passado e nas minhas relações. No meio disto tudo o melhor mesmo são as pessoas que fui conhecendo, desde o blog da minha mercearia, ao projecto da venda, às histórias dos meus partos partilhadas no meu outro blog, posso já contar inúmeras amizades que fui tocando de diferentes maneiras e pessoas que, quando passam do silêncio por detrás de um ecrã e me dizem que a minha escrita as cativa mesmo que eu não fale a mesma linguagem delas, me mantêm firme nesta minha escolha de partilhar algumas coisas da minha vida, do que faço e do caminho que percorro.
No entanto tenho a dizer que acho um pouco estranho as pessoas que, tendo também elas partilhado das suas alegrias e gloriosas conquistas no mundo virtual e pessoal, comecem a julgar, a criticar e a enviar recados tentando manchar as partilhas da felicidade dos outros e a acharem-se a última bolacha do pacote pela sua espiritualidade tão enraizada e por serem donas de ideias nunca antes tidas por ninguém, sim porque elas nunca tentaram imitar ninguém!
Sabem aquele tipo de pessoas que assim que surge uma oportunidade se lançam com unhas e dentes levando a sua presa arrastada pelo chão, vangloriando-se da desgraça alheia e contando em longos textos teorias sobre a loucura dos outros e ao mesmo tempo sobre o amor a tudo e a todos, exponenciando a sua vida perfeita mas que baixam a crista quando os outros estão felizes porque isso não estava definitivamente nos seus planos?! Pois lamento muito em desiludir-vos, afinal não são assim tão "ligados" quanto fazem parecer. E isso não é ser humano, muito menos espiritual, sequer animal, é desprezível, vem de pessoas realmente doentes e sedentas de poder e ambição desmedidos que ainda vibram na frequência do patriarcado. As nossas formas de cantar são bem diferentes, temos melodias dissonantes. E não precisavamos ter cuspido na cara a canção que entoámos em jeito de desprezo e vontade de ser superiores. Somos pessoas feitas da mesma matéria mas não fomos colocadas no mesmo saco. Há uma enorme diferença na essência do que fazemos e sentimos, no que procuramos.
Eu não quero julgar, apesar de estar a fazer uma reflexão de revolta porque eu posso ser bondosa mas não sou estúpida e, embora até aqui tenha preferido o silêncio e a descrição, sei que devem vir por aí mais recados virtuais, então em jeito de finalizar um capítulo e de limpar o que já não me serve, eu assumo a minha presença e acima de tudo a minha liberdade e porque, antes de publicar o que quer que seja, eu consagro para o bem de todos, os frutos das minhas partilhas mas também chega de ter medo de pisar terrenos onde eu lancei as minhas sementes.
Na verdade eu tenho mesmo pena que assim seja mas claro que não consigo mudar as mentes tão iluminadas de alguém. Muito menos de quem se ache com o rei na barriga, não passando de lobos em pele de cordeiros e assim idolatrados por pessoas crentes nestes gurus todos poderosos! Felizmente percebi a tempo que essa não era a minha forma de viver e estar na vida.
Eu penso porque realmente incomoda tanto a felicidade alheia, ou será que se sente ameaça? Pois bem isso será apenas criado nas suas cabeças porque na verdade a minha partilha vem de um lugar bem diferente, onde não há competição, julgamento ou outra merda qualquer. Faço o não para impressionar mas para inspirar e para aproximar corações. Não o conseguirei fazer com todas as pessoas é verdade, mas quero andar próximo disso porque eu acredito na bondade de todos, já às cabeças e respetivos egos não consigo alcançar tão facilmente.
É também importante referir que durante muito tempo eu tive medo de me repetir de não me fazer singular, mas como eu já ando nisto há muito, assumo que vou cada vez mais ao sabor das minhas verdades e daquilo que o meu ser mais procura aqui na terra, do encontro de corações, do profundo cumprir de missão e de estar ao serviço dos outros com os meus dons, saberes e humildade, respeitando sempre o lugar de todos, mas não me deixando acobardar pelo medo de fazer parecido, igual ou totalmente diferente. Sou livre e inspiro-me em quem eu quiser, tal como se inspiraram em mim, sim?! Não tenho necessidade de copiar ideias de ninguém, tenho as minhas antenas bem ligadas e conecto-me facilmente a outros mundos recebendo inspiração. Se alguém me copia, imita ou se sente inspirado por mim, pois ainda bem, fico mesmo muito feliz que assim se faça.
Somos únicos e cada um traz uma mensagem autêntica, por isso não há que preocupar em competir, em repetir ideias, valores, se procurarem bem dentro de vocês vão perceber que no vosso coração canta uma melodia preciosa e única que encantará pela pureza mais do que pelos ensinamentos dos vossos afamados professores. Confiem!
No fim deste depoimento todo eu espero mesmo é que tudo possa correr bem e que sejamos todos felizes para sempre, nessa utopia que vivem alguns de que acordar todos os dias felizes é alcançável para todos. Somos cíclicos, a roda gira e há que respeitar os processos de cada um. Também acedemos a verdadeiros tesouros quando caminhamos no escuro e por debaixo da terra num movimento descendente. Que todos possam trazer os seus sonhos manifestados e que possam estar em paz nesta roda da vida, onde a luz e a escuridão são ambas necessárias.
E que os meus desejos mais profundos sejam para o meu bem, para o bem dos meus filhos, para o bem de todos e para o bem da terra, esta é a verdadeira mensagem da minha veia bipolar.
"I bow to you
My soul honours your soul
I honor the light, love, true, beauty
& peace within you, because it is also within me
In sharing this things we are united, we are the same, we are one"

 


"Não nos vale de muito, a nós mães, sermos cheias de ego, de certezas absolutas e muito menos metermos os pés num pedestal enquanto apontamos o dedo. Eu dou um exemplo. No outro dia passei por uma miúda, ela estava com o pai e ele dizia-lhe “já estou farto de te avisar para teres cuidado”, mas ela continuava a fazer um malabarismo qualquer em cima da bicicleta alheia à possibilidade de se estatelar no chão. Claro que em menos de nada ela estava no chão, com os joelhos esfolados e a chorar. O pai disparou um “é bem feita” e eu fiquei indignadíssima. Foda-se, então a miúda está no chão a chorar e ele diz “é bem feita?” A minha indignação demorou pouco. O pai rapidamente a pegou ao colo e consolou-a. E eu senti-me envergonhada. Lembrei-me que ainda no outro dia tinha dito “é bem feita” ao meu filho depois de ele estar aos saltos no sofá e cair no chão. Também eu já estava farta de o avisar para ter cuidado, também eu lhe disse “é bem feita” e também eu o apanhei do chão e o consolei. Reduzi-me à minha insignificância. De onde nunca devia ter saído.

A maternidade está cheia de pequenos exemplos de sobranceria. Se os nossos filhos dormem bem, se comem bem, se não fazem birras ou se adormecem sozinhos é quase certo que nos enchemos de ego e dizemos aos outros como é que devem fazer para ter filhos como os nossos. Como se existisse um manual de instruções com a solução para todos os nossos problemas. Essa merda não existe. Os nossos filhos nascem e nós somos esmagadas pela realidade. Toda a preparação que fizemos, todos os livros que lemos e todos os conselhos que recebemos dizem pouco àquele ser minúsculo que temos nos braços. Ele é único, não é os outros. Pouco lhes importa se queremos amamentar, se não os queremos a dormir na nossa cama, pouco lhes importa se começam a falar mais cedo que o filho da nossa amiga ou se não gostamos de birras por tudo e por nada. Nada disso lhes diz respeito. Eles crescem alheios às expectativas que criaram para ele. Eu tinha várias certezas, como todas as mulheres, depois tive filhos e vou engolindo as minhas certezas umas atrás das outras.
Há uns tempos, numa festa de aniversário de crianças, uma miúda deu uma cotovelada à mãe, eu revirei os olhos e pensei “comigo nunca”. Nesse mesmo dia, em casa, ralhei com a minha filha a propósito de uma merda qualquer e ela levantou a mão e bateu-me no braço. Dei-lhe um raspanete e engoli mais uma certeza. A maternidade é um exercício constante de humildade."
Autoria do texto "Ser super mãe é uma treta"

Recomeçam os nossos círculos!
Sê bem-vinda! 🧡
Neste começo de estação, equinócio de Outono onde os opostos se encontram para se alinharem, eu convido-vos a este "Caminhar no Outono" - círculo orgânico exclusivo para mulheres.
Terça-feira, 22 Setembro 2020 pelas 19h30
O equinócio de Outono mostra-nos que dia e noite são novamente iguais, revelando o equilíbrio entre os opostos e uma nova oportunidade de restabelecer o equilíbrio em nós. (in Foice de Prata 2020)
Nesta altura do ano os dias vão começar a ficar mais pequenos, as folhas caiem e as cores da natureza mudam, começamos a recolher, despedimo-nos da força do sol caminhando para o Inverno.
É tempo de fazer compotas, conservar e armazenar mantimentos para o frio que vai chegar.
Neste encontro de mulheres, convidamos mães, avós, tias, primas e irmãs. Todas são bem-vindas! É um espaço seguro de partilha, silêncio, riso e lágrimas.
"Quando uma mulher decide curar-se, ela transforma-se numa obra de amor e compaixão, já que não se torna saudável somente a si própria, mas também a toda a sua linhagem." Bert Hellinger
Celebramos ao ar livre com práticas de caminhada em presença, meditação, yoga e movimento orgânico para nos ajudar a um maior alinhamento com a natureza, externa e interna.
Inscrições: podem inscrever-se através dos seguintes contatos:
belindasobral@gmail.com
Tlm: 966439481
Ou por mensagem privada.
Limite até 10 pessoas conforme as novas medidas de contingência.
Valores:
Intervalo de contribuição entre 5 a 10 €
NIB 0035 0357 00013524300 75
Ou por MB WAY +351 966439481
Importante: trazer roupa e calçado confortáveis e um agasalho, água, chá ou qualquer coisa leve para comer. Lembro que não podemos partilhar alimentos nesta fase.
Mais informação sobre o local do encontro, dúvidas ou dificuldades sobre o pagamento envia mensagem privada ou email para: belindasobral@gmail.com ou contacta através do número de telemóvel 966439481.
Da aldeia, com amor
Belinda





6°e último dia - quarta-feira, 9 de Setembro.
O despertar foi mais pesado para mim, tinha comido demasiado ao jantar. Não, o vinho já o uso com parcimónia, depois das últimas duas vezes que o bebi e que me levaram a um estado subtil de embriaguez e onde sinceramente fico a morrer de sono!
Fizemos uma última partilha, enchemos as malas daquele verde esperança e preparámo-nos para sair.
Na espera por seguir caminho a pé, mais uma vez, ali não existiam carros, só moto-quatro, vimos chegar um professor e os seus alunos da universidade dos Açores que nos pediram permissão para filmar para um documentário sobre biodiversidade na Fajã da caldeira de Santo Cristo.
Aproveitamos para discutir ideias sobre as pedras empilhadas por humanos que aparecem cada vez mais na paisagem e que, descaracterizam os lugares. As pessoas que fazem estas "construções" de pedras, fazem-no com a melhor das intenções mas na verdade estão a alterar o aspeto daquele ecossistema.
Falámos também da quantidade enorme de espécies invasoras na ilha como a conteira, o aloe vera e outras e da importância de usar plantas autóctones.
Partimos então em direção à Fajã dos Cubres. As malas iam de moto quatro até ao táxi que nos esperava.
No caminho os dóceis animais, Petra e Aqua, os cães do nosso alojamento acompanhavam-nos.
A igreja de Nossa senhora de Lourdes em Fajã dos Cubres, lá dentro a imagem ao centro da Imaculada Conceição em vez de Jesus na cruz.
As saudades dos meus filhos e da minha casa começavam a apertar.
Tínhamos ainda um mergulho para dar antes de partir e foi nas poças de Simão Dias, perto da Fajã do Ouvidor, que nos despedimos de São Jorge.
Uma despedida molhada pela terra e pelo céu. A chuva abençoava-nos na viagem de regresso a casa e dava-nos coragem para iniciar o Outono que se aproxima e todas as rotinas a ele associadas e ainda o medo instalado pelo maldito vírus que nos visitou este ano.
A próxima viagem já está marcada, será de carro e num registo diferente.
A novas aventuras me permito e eu, que sou moça da aldeia, por aqui não me fico.
Da aldeia, com amor
Belinda









5 ° dia - terça-feira, 8 de Setembro

Começamos o dia com práticas de meditação ativa de Osho, já tinha feito esta meditação há muitos anos atrás mas foi bom relembrar, a Liliana guiou-nos delicadamente nesta viagem. Contámos a história do corpo e do coração. Relaxámos no final. A cada dia que passava as refeições iam subindo degraus de tão boas que ficavam.
A tarde era livre e eu aproveitava para escrever. Quando terminei convidaram-me para ir só ali. Peguei no meu saco, calcei os ténis e começamos a caminhar da Fajã da Caldeira até à Fajã dos Cubres. As subidas faziam-me querer voltar para trás, mas assilhei caminho. Uma hora e pouco de subidas e descidas, o meu pé voltava a queixar-se. Eu não desistia. Chegámos à Fajã dos Cubres e pegámos num carro que nos foi emprestado pela @caldeirasurfcamp espero que esteja tudo bem com o carro pois aconteceram fenómenos estranhos como conduzir sem chave na ignição! Eu ia a conduzir, tenho braços fortes para aquela direção assistida! A estrada era estreita e o caminho era verde. Riamos que nem umas perdidas. O GPS era de papel e dedos a fazerem o percurso. A piloto já estava habituada a caminhos de cabras porque também vive no monte. Chegámos em cima da hora ao local pretendido, uns yurts com vista para o mar, cumprimentámos os anfitriões e regressámos para a prática seguinte. Ainda nos faltava uma hora de caminhada a penantes. Na viagem cantámos ao amor que labuta e fizemos curvas apertadas. Riamos que nem umas perdidas. Regressamos à sala de prática para esticar o corpo com uma prática de yin yoga que eu nunca tinha feito, gostei tanto que quase adormecia no tapete de tão relaxada que estava. Seguia-se um banho e a vestimenta para a festa, cores, adereços e muito brilho, celebrar a vida. Nessa noite era servido peixe da ilha assado no forno. O vinho acompanhava o jantar e alegrava a mesa. Dançámos e rimos. A pouca eletricidade do local não nos deixou dançar até muito tarde. Fazia sentido. Recolhiamos para acordar para o último dia na ilha.








4°dia - segunda-feira, 7 de Setembro 2020

Acordei e fui à rua ver o mar em pijama, aqui ninguém repara nisso e eu também pouco me importo que me vejam assim. No caminho encontrei a Florinda, uma senhora do alto dos seus 68 anos que pertencia ao nosso grupo de retiro, ela lembrava-me tanto a minha mãe, aquela pureza de coração, que me era difícil não ficar emocionada de cada vez que olhava nos seus olhos. Esta senhora estava conosco, completamente entregue e dedicada às práticas, caminhadas, conversas e tão aberta de espírito a tudo. Eu só podia agradecer a sua presença e autenticidade. Era maravilhoso fazer este retiro com a presença desta Mulher.
Não existe idade perfeita para nos conhecermos por dentro e estamos sempre a tempo de despertar em nós a nossa mulher criança, amante, mãe, guerreira e sábia! Esta senhora encantou-me por se entregar a esta experiência e eu vi a sua transformação, o seu coração a transbordar de alegria por ali estar, como não podia ser tocada por ela?! Claro que a minha mente só pensava em trazer a minha mãe já ao próximo retiro, eu sabia que a minha rica mãe tinha alma e abertura para isto.
Entretanto, mal cheguei tratei de avisar a minha mãe para que fique boa do seu joelho, pois para o ano vou levá-la comigo, o meu pai prontificou-se logo para pagar a viagem, ele diz que ela gosta é de passear.
Depois do pequeno-almoço começámos a caminhar. Banho a cru na cascata. Partilha a pares dos nossos medos. Cada um cantava a sua melodia e recebiamo-nos olhos nos olhos. Os altares estão em todo o lugar. Escuta e presença ativa. Ouvir o outro sem querer criar soluções imediatas, dar esse espaço ao outro para se expressar. A forma de usar a palavra gratidão, agradecendo a todas as minhas relações e experiências que me trouxeram até este lugar.
Ao almoço um maravilhoso hamburguer de feijão pela delicada Neide que adorei conhecer. À tarde, descansar e integrar todas as vivências.
No oráculo saia a carta de Ganesha, remoção de obstáculos, protecão e orientação.
"I am protected and guided by a higher power. When the path is blocked, I take this as a sign to wait. I give thanks for divine intervention. When the path is clear, I love forward with ease. All that occurs ou does not occur is for my highest good."







Dia 3 - domingo, 6 de Setembro 2020
 
O dia seguinte começava também ele cedo. Eu aproveitava-me da primeira hora para escrever no bloco de notas digital e colocar os pensamentos em caixinhas, uns iria partilhar, outros iria guardar. 

Era dia das festas de Santo Cristo. 

Na minha cabeça as visões distorcidas que tivera um dia, começavam a fazer sentido e a minha alma começava a cantar. 

Pataniscas de espinafres com arroz de Feijão eram a inspiração do chef Adriano. 

Todos os meus sonhos estavam a ganhar inspiração deste lugar. Amor e uma cabana. 

Eu nem me lembrava qual era o dia da semana, também tinha perdido o norte. As nuvens não deixavam ver o sol nem as estrelas.

No caminho uma mercearia no meio do milho. No largo da Igreja o chão verde recebia as pessoas, a maioria vestida de vermelho. O padre falava por um microfone com som baixo e turvo sobre o perdão aos outros, pois Jesus também perdoara. Não falou do perdão a si mesmos. As cores perdiminantes eram o vermelho e o verde.

No regresso falávamos sobre o Chakra do plexo solar, amarelo, poder pessoal, muito esquecido nas práticas, valorizando se mais os chakras superiores e inferiores, coração, coroa, raiz.

Chegamos à lagoa de Santo Cristo, meditámos com o elemento água, de seguida mergulhei naquela mistura de água doce e salgada, fria e quente ao sabor das correntes. Ao nosso lado três adolescentes andavam de caiaque, riam, brincavam e chamavam nomes menos queridos umas às outras, o seu sotaque deixava adivinhar as suas origens. Diziam que não conseguiam meditar e continuavam no mundo delas. Nós no nosso, respeitando todos os sons e afazeres do lugar. Regressámos. O almoço era servido. Salada de Grão e bacalhau com azeitonas e cebola roxa. Um cuscus de legumes que eu não provara. Dispenso o trigo a maior parte das vezes. Já o pão aqui era maravilhoso. O queijo desaparecia da mesa com velocidade feroz. 

À tarde eu dormia a sesta e ao acordar fomos visitar o café da aldeia. A senhora tinha cara de poucos amigos. Ao fim da tarde voltámos à sala de prática. 

Numa prateleira com vários livros, encontrei um livro chamado a Alma da Fajã, nele eram escritos desabafos incríveis e simples de uma alma perdida e achada no alcoolismo na ilha da Fajã. Eu queria mesmo trazer aqueles desabafos e desenhos feitos pelo Emanuel Sousa comigo. Tratei de perguntar onde podia encontrar o livro para o comprar. O senhor Emanuel viria até nós e iria trazer consigo livros para vender. Do livro deixo-vos este texto que me tocou de tanta singularidade:
"A borboleta no dedo significa que a dona da sua casa tem lindas flores no seu  jardim, por ser limpo de ervas daninhas, o que torna esse jardim florido e perfumado. O jardim despertou a atenção dessa borboleta transmitindo-lhe paz tranquilidade e confiança, em cem casos, do acontece um. Devemos tratar-nos a nós próprios como se fossemos um jardim, andar lavados e limpos por fora e ser puros por dentro. Na vida tenta ser só o lado bom e respira felicidade." 

Desabafo, Emanuel. 

Jantámos, conversámos e fomos dormir.