No Outono o tempo pára, as folhas caiem e nós mulheres recolhemos um pouco para dentro de nós mesmas, deixando que o corpo se cubra com essas mesmas folhas que caíram no chão. Acolhemos ideias de um Verão agitado, barulhento, feliz. Abrimos caminhos, mas desta vez em direção ao útero da grande mãe terra. 
O sol ainda é quente, o vento sopra em alguns momentos e leva as palavras a outros cantos. O regresso à rotina faz os dias certos com horas marcadas. 
Nada é permanente e as estações do ano lembram-nos disso mesmo. É tempo de cortar a lenha, guardá-la para os dias mais frios. É tempo de colher os figos, os melões, encher a barriga, adoçar a boca. 
Regressar a casa, ao nosso corpo, ao nosso templo. Fazer das tripas coração para largar o que já não nos serve, como as árvores que libertam as suas toxinas nas folhas para que elas possam cair no chão, desfazer-se e voltar a ser composto. Somos também assim, chão, terra, semente, flor, árvore, vida e morte! 

Que este Outono possa ser mágico e nos traga a sabedoria de sabermos que também é importante o recolhimento, a certeza de que está tudo bem mesmo assim. Que venham de lá esses dias de mais vento e chuva.