A chegada do Sebastião

Estava um dia quente. As contrações chegaram cedo a avisar, ainda dei a última aula de yoga para grávidas. Comprei as flores que queria e fiz um risotto rápido para o almoço. Sentei-me a pintar enquanto a M. via a Rapunzel. Havia uma certeza em todos os passos dados naquele dia. A lua estava quase cheia e a noite chegou quente. Havia a promessa de levar a M. à feira de Agosto. Eu não podia e o pai teria de ficar comigo. Pedimos aos avós que a levassem, sem perguntarem porquê. Não houve tempo para jantar, não havia ainda fome. As contrações aumentavam de ritmo. Sabiamos bem o que queriamos e tinhamos a certeza de querer passar por aquele momento mais uma vez. Juntos fizemos o caminho até ao momento de dar à luz. O Sebastião chegava ao mundo numa das noites mais quentes de verão, num dia de feira, de festa na terra. Foi uma experiência maravilhosa de dor transformada em amor. Porque o parto em casa, natural, sem intervenção também dói, dói mas passa no momento em que o recebo nos meus braços, no meu colo e percebo o quanto acredito no meu corpo, na minha sabedoria feminina, na minha energia de criar e dar à luz, porque mais uma vez tinha a certeza que o conseguia fazer no meu abrigo, no meu espaço de maior conforto e rodeada de pessoas que me transmitem confiança e amor. Porque eu queria que voltasse a ser assim. E foi. O Sebastião nasceu em casa. E eu fui assistida por ele, por 2 doulas e uma parteira que confiaram em mim e me ajudaram a ir para além do medo e a viver mais uma experiência de profunda transformação de mim mesma. 


1 comentário:

  1. Parabéns!A todos pela coragem e sabedoria.Tive três filhos mas em Hospital....Muita saúde para o Sebastião,o desejado ;) Beijinhos.Micah Forsado.

    ResponderEliminar