Desabafo









Achamos sempre que fazemos o melhor para os nossos filhos e mesmo assim podemos errar, repetir e voltar a encontrar dentro de nós a resposta mais certa que procuramos. Desde que sou mãe tenho aprendido mais sobre mim mesma, sobre aquilo que passo à minha filha e como isso a influencia e como retorna a mim. Sou o modelo que ela segue, com quem ela está todos os dias. O que eu digo, mais cedo ou mais tarde, ela vai repetir e por isso, aprendo mais com ela sobre os meus erros, do que algum dia imaginei. Dançamos muito as duas, zangamo-nos também e digo-lhe muitas vezes que não, mas os limites, por vezes, tenho de repensá-los. Será que ela entende os limites que lhe imponho e porque lhe imponho? Não será muitas vezes a minha vontade e a minha falta de tempo contra a liberdade de ser da minha filha? Para mim é fundamental escutar e perceber o que ela me diz, o que espera de mim, o que me quer transmitir, mesmo que por vezes eu não tenha tempo de lhe dar ouvidos, sei que mais tarde vou perceber que ela me queria dizer algo importante. 

Com 4 anos feitos a M. só quer vestir saias cor de rosa, rodadas e com brilhantes, pernas à mostra, botas cor de rosa, camisolas com letras, flores ou corações, dançar e, pintar os lábios de cor de rosa! Tem um gosto muito próprio, já que eu não a incentivo neste sentido. Não quer ir à escola porque me diz que a mandam estar sentada, e eu, esqueço tudo o que tenho para fazer, ouço isto e percebo que ela me quer dizer mais alguma coisa. Deixo-a vestir a saia cor de rosa, escolher a camisola, pintar os lábios e ficar em casa a dançar, deixo-a ser livre e brincar o dia todo. Incentivo-a a arrumar os brinquedos, e de vez enquando perco a cabeça com tanta coisa espalhada, mas logo me lembro que são as minhas limitações e as minhas vontades que teimam em ultrapassar a sua liberdade. Respiro fundo, digo-lhe que podemos arrumar as coisas juntas e ela diz-me para eu não me zangar. Ficamos cúmplices, juntamos os brinquedos e damos um abraço demorado. Repito para mim mesma que não me volto a zangar e que, enquanto eu puder ela não irá fazer outra coisa senão brincar. Brincar, vestir saias cor de rosa, dançar e enquanto eu puder, ela não vai para a escola para estar sentada a mandado de ninguém. 




5 comentários:

  1. é um esforço diário esse da paciência, controlo e o chamado "let it go", mas é também um exercício para a vida... com um retorno extraordinário.

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  2. Tanto que me revejo nestas palavras...assim foi hoje a minha manhã por causa dos brinquedos espalhados e de não conseguirmos encontrar nada...

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    1. Muito amor quando eles têm o poder de nos deixar zangados!

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  3. Não há muito que inventar, é deixar ir!!! Foi isso, e é isso que tenho aprendido diariamente, conseguir dar-lhes o melhor de cada mundo e deixa-los fazer as suas próprias escolhas penso que seja o caminho. Acabei de descobrir o seu blog e estou a devorar cada post com uma enorme curiosidade. bjo grande e tudo de bom para si

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