1. Pequeno-almoço na cama 2. Celebrar a Primavera 3. Ir à da avó 4. Praia 5. Casa 6. Retiro 7. Tomates biológicos 8. Galinhas do campo 9. Café Saudade Sintra
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Achamos sempre que fazemos o melhor para os nossos filhos e mesmo assim podemos errar, repetir e voltar a encontrar dentro de nós a resposta mais certa que procuramos. Desde que sou mãe tenho aprendido mais sobre mim mesma, sobre aquilo que passo à minha filha e como isso a influencia e como retorna a mim. Sou o modelo que ela segue, com quem ela está todos os dias. O que eu digo, mais cedo ou mais tarde, ela vai repetir e por isso, aprendo mais com ela sobre os meus erros, do que algum dia imaginei. Dançamos muito as duas, zangamo-nos também e digo-lhe muitas vezes que não, mas os limites, por vezes, tenho de repensá-los. Será que ela entende os limites que lhe imponho e porque lhe imponho? Não será muitas vezes a minha vontade e a minha falta de tempo contra a liberdade de ser da minha filha? Para mim é fundamental escutar e perceber o que ela me diz, o que espera de mim, o que me quer transmitir, mesmo que por vezes eu não tenha tempo de lhe dar ouvidos, sei que mais tarde vou perceber que ela me queria dizer algo importante. 

Com 4 anos feitos a M. só quer vestir saias cor de rosa, rodadas e com brilhantes, pernas à mostra, botas cor de rosa, camisolas com letras, flores ou corações, dançar e, pintar os lábios de cor de rosa! Tem um gosto muito próprio, já que eu não a incentivo neste sentido. Não quer ir à escola porque me diz que a mandam estar sentada, e eu, esqueço tudo o que tenho para fazer, ouço isto e percebo que ela me quer dizer mais alguma coisa. Deixo-a vestir a saia cor de rosa, escolher a camisola, pintar os lábios e ficar em casa a dançar, deixo-a ser livre e brincar o dia todo. Incentivo-a a arrumar os brinquedos, e de vez enquando perco a cabeça com tanta coisa espalhada, mas logo me lembro que são as minhas limitações e as minhas vontades que teimam em ultrapassar a sua liberdade. Respiro fundo, digo-lhe que podemos arrumar as coisas juntas e ela diz-me para eu não me zangar. Ficamos cúmplices, juntamos os brinquedos e damos um abraço demorado. Repito para mim mesma que não me volto a zangar e que, enquanto eu puder ela não irá fazer outra coisa senão brincar. Brincar, vestir saias cor de rosa, dançar e enquanto eu puder, ela não vai para a escola para estar sentada a mandado de ninguém. 













Nos últimos seis dias, estive imersa num encontro de mulheres que escolheram fazer a formação de doulas, neste lugar que nos acolheu numa intensa transformação de quem somos. Mais do que aprender para outras mulheres, para outras mães, sentimos na pele que nada pode ser feito enquanto a aprendizagem vier apenas de fora para dentro, mas sim pode e deve começar numa conexão intensa de dentro para fora, de libertação de medo, de ego, de control, e de entrega àquilo que melhor sabemos fazer, como nascer e dar à luz, sabendo que podemos escolher ser suportadas por toda uma sabedoria que existe em ser mulher.

Senti um verdadeiro amor por todas as mulheres que conheci aqui desde o primeiro círculo, desde o primeiro dia, senti que nelas existia toda a minha coragem e todo o meu medo, toda a minha verdade e todo o meu silêncio. Senti que mereço tanto ser mulher e ser apoiada por um coletivo que me aceita e valoriza, que compreende as minhas escolhas, que me respeita, que me permite renascer em cada desafio e aprendizagem. 

Eu, que vi nascer a minha filha de um parto desejado, também guardo medos, frustrações e angústias, apesar de sempre saber que o conseguia, também eu tenho tanto que aprender e tanto que aceitar não fugir daquilo que mais acredito, da minha verdadeira essência de ser, mas também de compreender todas as escolhas que as outras mães possam fazer, de ouvir, de escutar todas as vivências diferentes que são tão ou mais transformadoras das mulheres e do mundo.

E aqui estou eu, como a natureza, a renascer de um inverno profundo de conhecimento interno, a rasgar a terra e a trazer dentro de mim o melhor que posso ser, ser mãe terra.

Da aldeia,
com amor,
Belinda