O tempo de espera





O sol já não brilha com tanta força mas a vida não pára e por aqui andamos sempre ocupados. O tempo parece não esticar e eu, para escrever, tenho de parar e lembrar-me que tenho um lugar onde posso falar sem ninguém me ouvir. Não costumo programar posts no meu blog e nem tão pouco agendar sessões fotográficas com a minha filha, a vida não nos dá tempo para isso, preferimos fazer outras coisas, mas quando aparece uma máquina por perto, gosto de brincar e registar as cores e os movimentos dela. Muitas vezes penso em como é difícil manter um blog atualizado, em como tenho mil outras coisas em que pensar, mas a verdade é que também gosto de vir aqui, reler-me e rever-me em fotografias e em textos que escrevo, sem rascunhos e escritos diretamente para o ecrã. 

A Mel já está numa escola, não é a escola dos nossos sonhos, é uma escola onde, diariamente, faço um exercício de compreensão e empatia e, onde também eu, aprendo a perceber que o mundo não é cor-de-rosa, mas isso não me faz aceitar tudo e, por isso, como mãe e cidadã procuro fazer o que sei para constuir um mundo melhor. Já passou quase um ano desde que visitámos a Escola Livre do Algarve, mas a vontade de construir algo semelhante não perdeu força. Entre projetos, conversas e formalidades, esperamos começar o novo ano acreditando que é possível ver crescer esta semente que lançámos à terra.

Entretanto, eu planto o meu jardim, reúno-me num círculo de mulheres, cuido da casa, preparo as nossas refeições, levo a Mel à escola, à piscina, ajudo o papá a dinamizar a escola de yoga e a vida é, e será, sempre feita daquilo que eu mais preciso para reconhecer que tudo está no lugar certo e à hora marcada, que não preciso correr atrás dos sonhos, que eles só acontecem quando eu tiver tempo de olhar para trás e ver o que já construi até aqui. 

Da aldeia
com amor,
Belinda


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