Vê-la crescer



Ela cresce tão depressa. Todos os dias olho para ela, vejo que está maior e penso no dia em que já não me vai pedir mais colo, que é a coisa que mais gosto de lhe dar. Não tarda vai para uma escola, que espero ser a que desejo, mas que, se não for, ela se irá sair bem na mesma, e eu ficarei com o meu coração tranquilo porque vou confiar em quem aparecer, vou abrir o peito e dar todo o meu amor às pessoas que tomarem conta da minha filha, vou confiar nelas e acompanhar sempre o mais que puder. Sou mãe galinha, mas deixo a minha cria cair e levantar-se sozinha, dou-lhe espaço para a imaginação e conto uma história todas as noites, ensino que os doces fazem mal à barriga e aos dentes e de vez enquando comemos um gelado juntas. Evito dar importância às birras, normalmente mudo de assunto e de cenário, a birra passa. Dou abraços grandes à chegada e despeço-me à partida, explicando que, mesmo longe, levo-a sempre comigo e penso muito nela. Digo-lhe que: somos amigas para... sempre e ela acredita nessa verdade, mas eu sei que um dia terá outras amigas em quem vai confiar no meu lugar, não me importo, sei que esse dia terá de chegar. Ela vai crescer e ser dona dela mesma, já não me vai pedir colo e eu serei sempre a sua mãe, mas as vezes que ela me pesou nos braços ficarão para sempre coladas no meu peito, assim como o cheiro dos seus cabelos, da respiração, da pele com pele. E hoje, quando muitas vezes as pessoas na rua me perguntam, preocupadas com o meu futuro, se já estou a trabalhar, eu respondo: não ainda não, estou com a minha filha. E o meu cérebro responde sempre: não, não estás a trabalhar, estás só a cheirar a tua filha mais um bocadinho. E as pessoas ficam a pensar que devo ser rica e que realmente não faço nada da vida senão andar com a minha filha ao colo. 

Da aldeia, com amor, 
Belinda 

6 comentários:

  1. Belinda, somos duas :) e é sentindo que estou no lugar certo que respondo que estamos as duas em casa, nem emprego nem escola, por agora. E a maioria, com tanta certeza para dar e vender, não consegue entender o que é optar, escolher, e viver a vida de uma outra forma que não a deles.
    Um abraço grande*

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  2. Sim, é difícil perceberem que é possível viver-se de outra forma, mudando o nosso consumo e forma de estar. Eu gosto muito de viver assim mas sei que um dia vou ter de voltar a trabalhar, não sei é como é que isso pode ser compatível com ter filhos, e em Portugal, quando ainda estamos tão longe de puder ser verdadeiramente mães, com tempo e qualidade. Mas para já vamos vivendo assim :)

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  3. Está muito bonito este texto.
    Eu trabalho todos os dias, todos os dias eles me pedem para não ir e ao fim do dia tenho apenas umas horas para estar com eles. O pequenino não quer que eu o chame 'meu amor' nem 'meu príncipe', nem nada. Só quer: 'meu bebé'. Tem 2 anos e é muito bom:)

    Um beijinho,
    Marta

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    1. Obrigada Marta :) a mel tb não quer ser princesa, só Melinda :) são um amor

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  4. Oh Carina, obrigada pelas tuas palavras. Um beijo

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