1. Acordar perto do mar
2. Senhor Rodrigues Caffé
3. Melancias do avô
4. Praia da Galé
5. Hortênsias da avó
6. Praia do Carvalhal
7. Festival Músicas do Mundo
8. Carvalhal Surf School 
9. Fonte dos olhos



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É grande o meu fascínio por maternidade. Desde nova que desejei ser mãe e foi a melhor coisa que me aconteceu. Mas enquanto não chega a nossa vez de voltarmos a ser pais, vou-me deliciando com as barrigas das minhas amigas que estão prestes a ter bebés, com as que começam agora a crescer a barriga e, com os bebés daquelas que deram à luz há pouco tempo. Estar perto delas, saber o que sentem, como vivem a gravidez e como imaginam o parto, a amamentação, os primeiros cuidados. Para mim, foi (quase) tudo muito fácil, não tive (muitas) dificuldades, mas isso não quer dizer que saiba mais do que elas, ou que tenha lido mais livros. Quando somos mães temos toda a sabedoria necessária para cuidar daquele bebé, basta ficarmos atentas à nossa intuição e confiar no nosso instinto maternal. Confiei mais em mim e no meu companheiro do que nos médicos, confiei mais na minha parteira do que nas máquinas e deixei-me ir, confiante de que tudo ia correr bem. Mas também tive dificuldades, dificuldades em ter apoio, uma rede de mães ao vivo e a cores que me desse a mão. Ter mães, avós, mulheres por perto que nos confortem com certezas e não nos encham de dúvidas. Mas a verdade é que, foi numa rede social onde encontrei as mães de transição onde senti muito apoio, conheci outras mães, que como eu, quiseram ficar com os seus filhos em casa. E depois conheci, já não sei bem como, a Marta do Ovo, onde também contei a minha história de parto e onde podem ler mais sobre maternidade. Foi também através dela que cheguei a estas lindas imagens e como não podia deixar de mencionar, a Marta é uma mãe que ajuda outras, que está numa rede de apoio a outras mães. Enquanto ela faz isto na cidade, eu vou fazendo aqui num meio mais rural e de uma forma quase clandestina, vou partilhando com outras mães a minha experiência e dizendo-lhes que vai correr tudo muito bem e que só precisam delas mesmas para terem os seus filhos, que o conhecimento está todo dentro delas. Eu apesar de estar longe da Marta, sei que mesmo sem nos conhecermos pessoalmente, olhamos para estas fotos e sentimos o mesmo, há algo de comum entre nós. Obrigada Marta. O projeto podem vê-lo aqui e trata-se de uma série de fotografias tiradas nas primeiras 24 horas de vida de um bebé e de uma mãe. Lindo, simplesmente.

Da aldeia, com amor
Belinda























Esta casa, rodeada de verde. Lá dentro existem peças de coleção que Christina Simon vai guardando. As peças parecem não ter nada a ver umas com as outras mas combinam na perfeição, percebe-se a harmonia que foram ganhando ao estarem juntas. Sempre que penso na minha casa, penso que gosto de ir adquirindo objectos aos poucos, prefiro que os móveis, os tecidos, e as peças se vão conhecendo, em vez de juntá-los de uma só vez. Aqui, percebe-se isso, a casa foi-se vestindo com tecidos, objectos e texturas diferentes mas que se encontram muito bem. Mais fotos desta casa aqui.


Ela cresce tão depressa. Todos os dias olho para ela, vejo que está maior e penso no dia em que já não me vai pedir mais colo, que é a coisa que mais gosto de lhe dar. Não tarda vai para uma escola, que espero ser a que desejo, mas que, se não for, ela se irá sair bem na mesma, e eu ficarei com o meu coração tranquilo porque vou confiar em quem aparecer, vou abrir o peito e dar todo o meu amor às pessoas que tomarem conta da minha filha, vou confiar nelas e acompanhar sempre o mais que puder. Sou mãe galinha, mas deixo a minha cria cair e levantar-se sozinha, dou-lhe espaço para a imaginação e conto uma história todas as noites, ensino que os doces fazem mal à barriga e aos dentes e de vez enquando comemos um gelado juntas. Evito dar importância às birras, normalmente mudo de assunto e de cenário, a birra passa. Dou abraços grandes à chegada e despeço-me à partida, explicando que, mesmo longe, levo-a sempre comigo e penso muito nela. Digo-lhe que: somos amigas para... sempre e ela acredita nessa verdade, mas eu sei que um dia terá outras amigas em quem vai confiar no meu lugar, não me importo, sei que esse dia terá de chegar. Ela vai crescer e ser dona dela mesma, já não me vai pedir colo e eu serei sempre a sua mãe, mas as vezes que ela me pesou nos braços ficarão para sempre coladas no meu peito, assim como o cheiro dos seus cabelos, da respiração, da pele com pele. E hoje, quando muitas vezes as pessoas na rua me perguntam, preocupadas com o meu futuro, se já estou a trabalhar, eu respondo: não ainda não, estou com a minha filha. E o meu cérebro responde sempre: não, não estás a trabalhar, estás só a cheirar a tua filha mais um bocadinho. E as pessoas ficam a pensar que devo ser rica e que realmente não faço nada da vida senão andar com a minha filha ao colo. 

Da aldeia, com amor, 
Belinda 

























Os pequenos almoços aqui em casa são, quase sempre, demorados e com tempo para inventar qualquer coisa. Há sempre uma novidade. Às vezes são as amoras selvagens que os avós trazem do monte, as meloas da horta, o pão alentejano, os morangos do avô, as papas de aveia frias ou quentes, conforme está a temperatura lá fora e, às vezes, quando a Mel acorda mais tarde opto por lhe dar só uns cereais com um qualquer leite vegetal, para que sobre apetite para o almoço. Normalmente intercalo com leite de arroz, de aveia, ou de coco. Depois, quando os dias pedem mais sabor, reinventamos as panquecas da Susana do No soup for you que já fizemos aqui e no fim juntamos-lhe mel ou um doce de qualquer coisa. Hoje deixo-vos aqui as papas de aveia frias que sabem tão bem nestes dias quentes que teimam em não ficar.

Papas de aveia frias:

Ingredientes:

- aveia
- água
- 1 colher de sopa de sementes de chia
- 3/4 bagas goji
- 3/4 amêndoas
- algumas sementes de girassol
- mel e fruta

Colocar a aveia em pratos fundos ou tigelas, juntar água até tapar, acrescentar os restantes ingredientes, excepto o mel e a fruta. Deixar ficar de molho de 2 a 8 horas. No fim juntar mel e fruta a gosto.

Bom apetite!

Da aldeia, com amor
Belinda