Abril foi um mês de muita labuta aqui por casa. Ficámos as duas doentes, eu e a Mel, primeiro uma, depois a outra. A nossa casa foi transformada numa verdadeira Clínica Natural. Entre cataplasmas de argila, oléo essencial de árvore de chá,  açafrão com mel, sumos e mais sumos de fruta, mimo, muito mimo e colo conseguimos destruir os invasores sem recorrer ao exterior. Foi duro, mas nós somos persistentes e acreditamos na mãe natureza. A alimentação também teve de mudar um bocadinho, mais líquidos do que sólidos, eliminar o açúcar e as farinhas refinadas, que mesmo em dias de Páscoa foram a mais!! Utilizámos muito alho em todas as refeições para reforçar o sistema imunitário e bebemos muita água mineral. Ao fim de uma semana estávamos recuperadas. As diferenças de temperatura não ajudaram, mas conseguimos tudo isto também com a ajuda do papá que é o nosso mestre cá em casa, para além de saber muita coisa, ele também faz questão de aplicar a sua sabedoria todos os dias e é isso que admiro muito nele, a disciplina e a persistência. Porque, para nos curarmos a nós próprios, é preciso isso em dose dupla e por vezes a mim falta-me, porque acho que se fizer uma vez já fico boa, e não é assim... Agora, com Abril a terminar, estamos cheias de energia para os dias que estão a chegar, cheios de sol, de flores e de verde esperança à nossa volta. Maio é mês de ir a um concerto, de regar as nossas sementes, e de dar vida a este projeto e a outros que hão de vir. Bem-vindo mês de Maio.














































Estamos a preparar a Páscoa. Como o sol não aparece, decidimos ficar por casa e passá-la em família, aqui na aldeia. Assim, amanhã quando todos estiverem reunidos lá em casa da mãe à espera do borrego assado no forno, nós aparecemos com este delicioso assado de legumes. Já sabemos que não vamos ter muitos adeptos, mas nós sabemos que é disto que mais gostamos, da batata doce, das courgetes, das batatinhas novas e do alecrim que lhes dá um sabor intenso. Com ou sem borrego, o importante é estarmos em harmonia com as nossas escolhas.

Legumes assados no forno. Simples e delicioso.

Ingredientes:

- 2/3 cebolas novas
- azeite q.b.
- 2 alho francês
- 2 courgetes
- 2 cenouras
- 3 batatas doces
- 3 batatinhas novas
- cogumelos
- bróculos
- couve-flor
 - alecrim q.p.
- pimentas q.b.
- oregãos q.b.
- sal marinho (opcional)
- queijo parmesão ralado (opcional)
- vinho branco (opcional)

Preparação:


Cortamos a cebola em meias luas. Cortamos todos os legumes em pequenas rodelas ou em cubos, conforme preferirmos.
 Dispomos tudo num tabuleiro grande. Começamos pela cebola e o azeite e vamos acrescentando os outros legumes, espalhando-os bem por todo o tabuleiro. Temperamos com pimenta branca/preta, alecrim, oregãos e sal se quisermos. Eu raramente coloco sal, este prato é tão saboroso que não sentimos necessidade de acrescentar sal. Podemos ainda acrescentar vinho branco ou um pouco de água. Se nos apetecer muito podemos adicionar queijo ralado por cima. Vai ao forno a 180ºC durante 45 minutos. Devemos mexer de vez enquando, para os legumes não ficarem muito secos. Acompanhamos de arroz, quinoa ou massa. 

Bom apetite e boa Páscoa!




Quando a vida pára aqui no blog não quer dizer que pare lá fora. É que às vezes gosto de jogar para trás a inspiração e de esticar o pescoço ao sol e deixar a máquina fotográfica em casa, o iphone sem som e ir onde me apetece sem ter de fazer um registo de tudo o que me faz feliz. É também um desapego, desapego da partilha. No sábado que passou fui a um encontro sobre educação em Colos, onde, quem participava, não utilizava ipads, nem tablets, nem iphones, tinham apenas uma caneta e um bloco de notas, falavam quando tinham vontade e ouviam para saber quando queriam falar, numa conversa em círculo que durou algum tempo. E quando, no fim conversávamos, eu sentia que queria ficar ali mais tempo, e continuar a conversar com aquelas pessoas. É que eu às vezes fico cansada da energia que a tecnologia me tira, e sinto falta de conversar com os olhos e com as pessoas. Sinto falta de falar com as mãos, com o corpo. De dizer coisas que não podem ser apagadas ou editadas. De falar mais com o coração, porque quando estamos online é mais fácil lidar com as nossas palavras e dizer aquilo que mais convém à conversa. Ao vivo e a cores ouvimos não só as palavras das pessoas, como lemos o seu corpo, os seus gestos e é mais fácil perceber se os olhos estão coordenados com o que dizem e sentem. Bem sei que a tecnologia é muito importante nos dias de hoje, mas às vezes quero ficar longe dela, quero sentir que posso ver o mundo sem filtros e conversar sem vírgulas. Desligar os monitores e registar a vida apenas no silêncio e fotografar com os olhos as imagens que merecem ser lembradas. Parece que às vezes a nossa felicidade só cabe em fotografias. Por isso, se há dias em que deixo de escrever aqui, não se preocupem, é sinal de que a felicidade nem sempre tem tempo para ser partilhada.