1. Praia no Inverno
2. Passear de bicicleta no campo
3. Fazer chapati
4. Visitar escolas bonitas e inspiradoras






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Não tarda a M. vai fazer três anos e entretanto já comecei a procurar todas as hipóteses possíveis para que ela possa usufruir de um espaço em que possa brincar e principalmente sentir-se o mais livre possível como tem sido até agora e partilhando isso com outras crianças da sua idade. Tive a sorte de puder tê-la comigo até um ano de idade e depois optei por tê-la numa ama, onde achei que seria uma pessoa mais disponível a dar-lhe colo e atenção, que eles tanto precisam nos primeiros anos de vida, depois surgiu a oportunidade de ficar alguns meses com uma grande amiga nossa em contexto de ar livre e brincando na rua com outras crianças. Neste momento partilhamos os dias juntas e sinto que também seria importante o seu contato regular com mais crianças, uma vez que vivemos no campo e até um pouco isolados. Por isso comecei por conhecer os jardins de infância que existem próximos de nós. Acho importante conhecer a energia das pessoas que irão passar todos os dias com a M., saber as rotinas, as atividades, a importância que dão ao contato com a natureza e ao contato com os outros, a abertura do espaço aos pais, o diálogo e a partilha, a alimentação. Afinal de contas vamos confiar os nossos filhos a outras pessoas. Procurei de coração aberto para sentir o que é mais verdadeiro para mim e para a nossa família. A verdade é que encontrei esta escola, onde senti verdadeiramente aquilo que acho mais correcto para a minha filha e também para todas as crianças. Um jardim de infância Waldorf com uma filosofia diferente do ensino que estamos habituados. Um lugar de sonho onde as crianças podem ser e devem ser quem realmente são, não recorrendo a tabelas de avaliação ou parâmetros que fazem pouco sentido com três anos de idade. Aqui a criança não é avaliada, mas sim estimulada a ser ela própria, um ser único e livre. As atividades desta escola são maioritariamente artesanais e artísticas estimulando o sentido destes pequenos seres. Acho que as imagens falam por si. O meu coração ficou lá e a minha cabeça não pensa noutra coisa. Este jardim de infância fica longe, muito longe mas foi-nos dada uma semente, uma semente que prometemos cuidar com muito amor e quem sabe fazer crescer no Alentejo. Fotografias de Elisabete José.

"O nosso mais elevado objectivo deve ser a promoção do desenvolvimento de seres humanos livres, aptos a dar por si próprios sentido e direção às suas vidas". Rudolf Steiner 










Há pessoas que nos elevam, que nos fazem sentir mais próximos de nós próprios e mais vivos do que nunca. As pessoas que param para nos ouvir falar ou que falam para nos ouvir. As pessoas que se ligam a nós subtilmente, sem pressas, sem cobranças. Escolheria sempre as pessoas que me fazem crescer e pensar em coisas boas, mas sei que todas as "outras" que encontro também podem fazer de mim uma pessoa melhor porque também são elas um pouco de mim e onde aprendo a ver os meus defeitos. Podemos ler mil livros e podemos fazer todas as terapias possíveis e imaginárias, mas se não olharmos com amor para as pessoas que por vezes nos mostram o lado menos bom da vida não poderemos nunca olhar para nós próprios. Por isso vou aproveitar que tenho tempo e vou olhar para os "outros" olhando para mim própria. Bom fim de semana. 

12.13. As primeiras semanas de Dezembro foram muito solarengas aqui no alentejo e por isso aproveitámos para pintar algumas divisões da nossa casa. Depois arrumámos tudo e fizemos a árvore de Natal, a M. ajudou e ficou entusiasmada. Nos dias de Dezembro não couberam mais coisas para fazer, concertos de natal, teatro, aulas de yoga para a M., aulas de yoga para mim, os presentes feitos em casa que encontrámos aqui inspiração, os amigos em jantares acolhedores, o "regresso" do sol  no dia mais pequeno do ano, a família naquele que parece ser o dia mais esperado de sempre, o Natal e os últimos dias do ano na nossa cidade favorita, o Porto com passeios na chuva e no frio como eu gosto. Admirável mundo novo em que temos tempo para fazer aquilo que mais gostamos. Ano velho, vida nova.
11.13 A procura de alguém que também fosse a minha cara neste projecto da Venda e que quisesse dar contunuidade à taberna que reinventámos. Este não foi um mês bonito. Houve acordos desacordados, houve palavras que não chegaram a actos. No fim, alguém apareceu e mostrou vontade em começar, começar tudo de novo. Para algumas pessoas foi um golpe duro, deixar este negócio do coração que reinventei com tanta dedicação, mas eu sentia que a minha parte estava feita, o meu sonho tinha sido concretizado e eu  tinha tirado dez kilos de cima porque toda uma vida disse que recuperaria a taberna e mercearia onde fui criada. E assim foi, recuperei, dei luz e brilho, eu sei que dei, e saí, não saí feliz porque é duro fechar portas a quem nos visita todos os dias, mas sai de alma e coração encontrados porque sabia que o meu dever estava cumprido.  Tratei de tudo para não ter a Venda fechada muito tempo, pois sabia que era o ponto de encontro de muitos amigos e sabia que este lugar também lhes pertence. Fiz inventários, limpei, arrumei e deixei tudo pronto para abrir no dia seguinte. Não foi no dia seguinte, mas em menos de um mês a Venda voltava a receber nos mesmos lugares as mesmas pessoas, pessoas que já no tempo do meu avô se sentavam ali, naquele lugar. Para a nossa geração pode não ter grande importância mas para estas pessoas tem, porque é ali que as suas vidas são contadas, entre um pedaço de pão e um copo de vinho e é ali que encontram o convívio que nos falta numa qualquer rede social. A venda estava aberta e isso é de grande valor num lugar tão bem guardado como este. 


10.13. Outubro, fazer as malas. É tempo de ir de férias. As terças sabiam a pouco e os fins de semana eram de muito trabalho. Procurei o lugar mais verde e onde pudesse falar com as árvores. Precisava de perguntar-lhes qual o caminho acertado. Será que iria recomeçar com mais força ou será que ia arriscar, arriscar a ser mais feliz? O coração já sabia a resposta. As árvores também porque sabem ler as respostas do coração. Mas a cabeça, essa tinha de responder em último lugar e seria ela a decidir. As férias foram mágicas, o sol não arradou de ao pé de nós, o silêncio era o desejado, as águas quentes e reparadoras, a paisagem verde com pontas amarelas, começava o Outono. Quando voltei de férias sabia a resposta e sabia que era por aí que tinha de ir, não foi um regresso fácil, não foi, mas a verdade é que tinha o apoio dos de sempre e de mais uma pessoa, o meu pai, que nunca me quisera ali, pois também ele sabia o quanto custava chegar fora de horas a casa. O meu sonho parecia estar concretizado, o que fazer a seguir?
09.13. Setembro foi quente e a praia foi só para nós. Entretanto o papá chegou da Índia, ir buscá-lo ao aeroporto foi como se o tivesse visto a primeira vez, meu deus, que saudade! a partir daí tudo mudou, o meu trabalho já não era tão importante, morria de saudades de estarmos em casa os três e foi nessa altura que começou a crescer dentro de mim uma vontade estranha de fazer as coisas de maneira diferente. Eles são o mais importante da minha vida e até agora a Venda tinha sido a menina dos meus olhos e tinha ocupado grande parte dos meus dias e noites. Algo mudou a partir daí. Comemorámos o aniversário da minha mãe e fomos à feira medieval de Alvalade. Recebemos família e amigos e aproveitámos o verão como se tivesse acabado de chegar. 

08.13 Agosto, que lindo foste! O pai partiu para a Índia à descoberta do mundo da ayurveda (medicina tradicional indiana) e eu fiquei com a M. Prometi que ia correr tudo bem e que nos íamos organizar de modo a não sair muito da rotina. Deitar a horas, fechar a Venda não muito depois das onze da noite e passear a nossa Índia. Ela não sentiu a falta do pai, pois eu encarreguei-me de mostrar-lhe muitas coisas novas. Fomos as duas ao andanças, tomámos muitos banhos naquela barragem em Castelo de Vide. Dancámos. Fomos à feira de Agosto em Grândola. Assisti a um casamento de sonho no meio de um monte e fiquei feliz ao ver que os noivos estavam destinados a casar assim, da forma mais bonita e mais parecida com eles próprios. Fiz uma tatuagem. Fomos à praia.

07.13 Muito trabalho. A venda recebeu pela primeira vez a rota das tabernas. Foi maravilhoso servir cerca de 200 pessoas com açorda de beldroegas e outros petiscos que a minha mãe preparou como se estivesse a cozinhar lá em casa. Fomos dormir à minha praia favorita. Fizemos yoga e fomos ao Festival Músicas do Mundo. Comi melancia. Fizemos outro retiro de purificação no monte e ajudámos o papá a fazer as malas para a sua viagem à Índia.















06.13 Fiz 30 anos. Festejei com os amigos e família na Venda. Passei uns dias num turismo rural em Almodôvar que me souberam pela vida. Comemorei o aniversário de uma melhor amiga. Fiz um bolo de aniversário para o meu pai. Fizemos mais um retiro de purificação no monte e a M. comeu gelado pela primeira vez. 


05.13 O maravilhoso festival de Mértola, a chegada do tempo mais quente e dos passeios de bicicleta, as flores de Maio, um casamento lindo debaixo de um sobreiro, um concerto grande mas sem grandeza (disse que não voltaria a ver um concerto de uma diva pop e talvez não volte mesmo).
04.13 No mês de Abril fomos entrevistados para o Dinheiro Vivo, foi a minha primeira experiência com os media e foi num registo que gostei imenso, uma equipa nova e cheia de motivação à procura de Fazedores. A Amarela  do projecto Green Brick Road Project fez a sua primeira paragem na Venda e deixou-nos com os pés fora do chão a acreditar que tudo é possível. Houve também um pedido de casamento na Venda que me fez chorar de emoção. Aprendi a fazer favas com a minha mãe. Fui à Ovibeja dançar e ver os Buraka. A M. comeu pizza pela primeira vez. Fotografia Diana Quintela


03.13 Pintámos ovos, dedos e mãos. O trabalho também não faltou, fizemos açorda de túberas na Venda e recebemos clientes para almoçar no dia de Páscoa. Consegui ter tempo para que as minhas amigas viessem jantar cá a casa e tive tempo para ir ao teatro. Celebrámos o dia do pai e fomos passear à praia num dia sem nuvens. Também choveu muito e na terra ficaram as águas de Março.
Fotografia: Rodrigo Cardoso - De alma e coração
02.13 A simplicidade com que sempre sonhei numa festa: sumos de fruta natural, bolos e tartes de legumes tão saborosos quanto saudáveis feito pela Little Upside Down Cake, uma decoração simples e perfeita pelas mãos da De alma e coração. Podiamos viver a vida toda assim, com a simplicidade deste lugar, com estes sabores simples o com o coração aquecido por uma fogueira e pelos amigos. Adoro o tempo frio e fazer uma festa na rua e em pleno Inverno foi mágico. Quero festejar mais vezes neste lugar. 






















semelhança do ano passado e depois de inspirada por este blogue com uma mãe que admiro e este blogue de uma futura mãe que faz um trabalho maravilhosamente lindo, isto é pouco para o adjectivar, partilho durante estes primeiros 12 dias do ano 12 fotografias tiradas em cada um dos 12 meses de 2013. Não foi um ano fácil, mas foi um ano bonito e no qual eu me propus a ser mais feliz e a viver em consciência com o caminho que procuro todos os dias, o caminho de verdade, aceitação, liberdade e conhecimento de mim mesma. O ano de 2014 vai ser com certeza muito melhor porque eu assim escolho. Agora é tempo de rever o ano que passou e levar dele o melhor para o ano que já cá está.)

01.13 A casa ficou arrumada. As obras terminaram. A M. tem um quarto só para ela. O trabalho na Venda foi mais do que o esperado. Muitas noites a deitar tarde e muitas manhãs a acordar cedo. Escolhi ter alguém na Venda a ajudar-me a tempo inteiro o que me ajudou a estar mais tempo com a M. A escola de yoga também teve direito a um espaço novo e começámos os dois o ano com muito trabalho.