Junho, o mês onde tudo começou. Pela primeira vez não fiz festa de aniversário, desta vez comemorei de forma diferente. Fizemos yoga na praia, um retiro de meditação e silêncio e abrimos à séria a época balnear.  Fui ao Atelier da Lis contar a minha história.
Juntos preparámos um worshop de cozinha vegetariana que correu muito bem. Aproveitámos os raios de sol no primeiro dia de praia do ano. Apanhámos flores e trouxemo-las para casa. 






A Páscoa foi passada no alentejo junto da família, mas Abril também foi o mês de transformarmos a nossa casa numa clínica natural. Ficamos doentes depois dos doces da Páscoa que baixaram as nossas defesas. Falei da falta de inspiração e como é estranho ter de estar sempre ligado às tecnologias hoje em dia.
Celebrávamos a chegada da Primavera e os dias convidavam a ir para a rua. Eu terminava este livro que me relembrava a arte de ser simples.
A horta começou a ganhar vida. Os dias ficaram maiores. Celebrámos os três anos da Mel e brincámos ao Carnaval. Escrevi uma carta







Visitámos uma escola. Trouxemos a vontade e a coragem de construir algo semelhante para as nossas crianças. Já passou quase um ano e eu acredito nesta semente que vamos, em breve, colocar na terra e cuidar. Uma escola Waldorf aqui perto.

Nos dias mais pequenos do ano, quando o sol parte mais cedo e as noites são mais longas, celebramos o renascer do sol, da natureza e dos dias mais felizes, regressamos ao colo das nossas famílias, sentimos o calor de estarmos juntos a celebrar, enchemos a barriga de histórias contadas à mesa e quase não aguentamos com tanto sorrir. É Natal e esta é, provavelmente, a época mais bonita do ano. 

Cresce em nós a vontade dos novos começos, onde vamos nomeando desejos para um novo ciclo e acreditamos que é mais importante ser feliz, mais do que qualquer desejo que possamos escrever. 

Feliz Natal // Feliz Solstício de Inverno 





















Em alturas de festa, convidamos o tofu a dar o ar da sua graça na noite de Natal. Sabemos que o tofu é transformado e que, sendo um subproduto do leite de soja, não deve ser consumido frequentemente mas, para substituir os tradicionais pratos de bacalhau desta altura do ano e, para alegrar a barriga de alguns vegetarianos, esta receita enquadra-se perfeitamente. 

Ingredientes: 

6 demtes de alho
1 limão
Azeite q.b.
Um ramo de coentros ou salsa
Sal marinho q.b.
500g de tofu bio, cortado às fatias
1 kg de batatas novas

Preparação:

Picar 3 dentes de alho e metade dos coentros. Cortar o tofu em fatias e colocar numa taça, Deitar os alhos e os coentros picados por cima do tofu e temperar com sal, azeite e algumas gotas de limão. Deixar no frigorífico a marinar durante 8 horas. Cozer as batatas com a pele. Aquecer azeite numa frigideira e aloirar o tofu dos dois lados. Reservar. Aquecer o forno a 200ºC. Picar os restantes dentes de alho e os restantes coentros, Saltear os alhos e os coentros em azeite. No centro de um pirex colocar o tofu. Dar um murro em cada batata e colocar em volta do tofu. Regar o tofu com os coentros e alhos salteados. Levar ao forno a 200ºC durante 15 minutos.

Bom apetite!



Este ano começámos por fazer a nossa árvore de Natal em Novembro, uma vez que vamos passar o Natal ao norte e assim podemos viver o espirito natalício por mais tempo aqui em casa. A árvore mantém-se, e os enfeites são quase sempre os mesmos, as cores e os materiais resultam muito bem, algumas peças são em madeira, outras em palhinha e, este ano, luzes! convenci o papá a comprar luzes de Natal, a Mel ajudou, senão eu não teria sido tão bem sucedida. Encontrei ainda um presépio igual ao que existia em casa dos meus pais e do qual guardo boas recordações de infância. Fomos apanhar musgo e construimos um presépio "vivo" que me suja o chão todos os dias, mas é bom ver a Mel a criar histórias em volta dele. Fiz também esta fada em lã e feltro num workshop de feltragem e ficou ainda a vontade de fazer o calendário do advento mas já não vou a tempo. 

Por aqui vamos cumprindo a tradição de não comprar muitas prendas de Natal e tentando fazer alguma coisa especial para oferecer ou então comprar artesanato local. Já tenho algumas coisas pensadas, mas a inspiração maior vem sempre à última da hora, o que dá muito jeito... 

Os presentes são apenas um pretexto para dizermos o quanto gostamos de alguém, mas nós insistimos em materializar os sentimentos, porque é sempre mais fácil dizer o quanto gostamos num par de meias novas oferecidas no natal. Para mim também é um desafio, o desafio de desembrulhar corações, de olhar mais nos olhos, de ouvir em vez de falar, de abraçar de peito aberto e do silêncio saber-nos bem. É mais disso que procuro neste Natal. 

Da aldeia
com calor e amor,
Belinda










































Se houver presentes que venham todos daqui. 1. Uma manteca 2. Um bule em esmalte 3. Um poster de flores comestíveis 4. Um mapa mundo. Todas as imagens são da Venda

1. Brincar na rua 2. Luz da manhã 3. Celebrar com os amigos 4. Abóboras do avô 5. Árvore de Natal 6. Presépio 7. Mel 8. Folhas que caiem 9. Casaco novo


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O sol já não brilha com tanta força mas a vida não pára e por aqui andamos sempre ocupados. O tempo parece não esticar e eu, para escrever, tenho de parar e lembrar-me que tenho um lugar onde posso falar sem ninguém me ouvir. Não costumo programar posts no meu blog e nem tão pouco agendar sessões fotográficas com a minha filha, a vida não nos dá tempo para isso, preferimos fazer outras coisas, mas quando aparece uma máquina por perto, gosto de brincar e registar as cores e os movimentos dela. Muitas vezes penso em como é difícil manter um blog atualizado, em como tenho mil outras coisas em que pensar, mas a verdade é que também gosto de vir aqui, reler-me e rever-me em fotografias e em textos que escrevo, sem rascunhos e escritos diretamente para o ecrã. 

A Mel já está numa escola, não é a escola dos nossos sonhos, é uma escola onde, diariamente, faço um exercício de compreensão e empatia e, onde também eu, aprendo a perceber que o mundo não é cor-de-rosa, mas isso não me faz aceitar tudo e, por isso, como mãe e cidadã procuro fazer o que sei para constuir um mundo melhor. Já passou quase um ano desde que visitámos a Escola Livre do Algarve, mas a vontade de construir algo semelhante não perdeu força. Entre projetos, conversas e formalidades, esperamos começar o novo ano acreditando que é possível ver crescer esta semente que lançámos à terra.

Entretanto, eu planto o meu jardim, reúno-me num círculo de mulheres, cuido da casa, preparo as nossas refeições, levo a Mel à escola, à piscina, ajudo o papá a dinamizar a escola de yoga e a vida é, e será, sempre feita daquilo que eu mais preciso para reconhecer que tudo está no lugar certo e à hora marcada, que não preciso correr atrás dos sonhos, que eles só acontecem quando eu tiver tempo de olhar para trás e ver o que já construi até aqui. 

Da aldeia
com amor,
Belinda






Um sobreiro com mais de 400 anos.
Um vídeo que nos diz que ela não precisa de nós. Nós precisamos dela.

Mãe natureza.



Da aldeia,
com amor
Belinda
No próximo fim-de-semana iniciamos mais um retiro de meditação e silêncio. Assim, vou preparando as ementas, organizando os chás e a lista de compras. A mim cabe-me a tarefa de nutrir as barrigas nestes dias em que a mente se dispõe a ficar mais em silêncio e o corpo abranda para se conectar ao mais importante. A alimentação deve ser simples e sem grandes confeções, tudo num estado mais orgânico e natural para que o corpo possa reconhecer diretamente a energia vital que está em cada alimento. Uma sopa, um chá, legumes, saladas e sumos de fruta chegam quando abrandamos o ritmo e nos ligamos ao simples, ao mais essencial. Somos cada vez mais e, a cada retiro é sempre mais desafiante. As refeições tem de ser a horas e o tempo na cozinha não pára. Eu, a cozinhar, também esqueço um pouco a agitação dos dias e procuro abrandar um pouco, entregar-me aos tachos e viajar nos cheiros que vão emanando de cada refeição. Se tiver tempo tiro umas fotos para vos mostrar. 

Da aldeia, 
com amor
Belinda










1. Yoga na praia 2. Papas de aveia 3. Rotina 4. Forno de lenha 5. Flores 6. Cozido 7. Barba do papá 8. Rebolar na praia 9. Pequeno-almoço na cama
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Hoje é feriado, dia do Concelho, em Grândola, mas aqui não me proponho a falar de história, seria demasiado longa, prefiro dizer-vos que fiz um cozido vegetariano para comemorar esta data. Bem e que cozido, não fica nada atrás do cozido da minha mãe e a chouriça que leva é das melhores que já comi. Como já sabem, eu adoro os pratos da minha mãe e, poder adaptá-los é maravilhoso, pois vou aprendendo o que ela sabe fazer tão bem mas ao meu jeito e de forma mais saudável.

Ingredientes:

- azeite
-1 batata doce 
- 6/7 feijão verde
- 2 nabos pequenos
- 1 chouriça de soja bio do Monte do Mimo
- 2 cenouras
- 1 cebola
- 2 tomates chucha
- 1 repolho pequeno
- sal q.b.
- pimenta q.b.
- cravinho q.b.

Preparação:

Cortar todos os legumes em pedaços pequenos. Reservar.

Colocar azeite a tapar o fundo de um tacho grande e começar por colocar a cebola, o tomate, a cenoura, deixar refogar uns instantes, depois juntar o resto dos legumes e a chouriça cortada às rodelas. Temperar com sal, pimenta e cravinho. Deixar cozer uns minutos até secar mais um pouco e depois colocar mais um pouco de água fervida por cima dos legumes, mas sem cobri-los, deixando os legumes à superficie. Deixar cozer por mais alguns minutos e, se quisermos podemos colocar mais água na cozedura dos legumes e depois retirar esse excesso de água para fazer um arroz deste caldo. Retificar os temperos e servir. 


Bom apetite e bom feriado!


O Outono começou com um resfriado, uns dias de cama e uma amigdalite que teima em não ir embora de vez, o tempo ora está frio, ora aquece, ora arrefece. Quando pensamos que estamos no Outono, voltamos de novo ao Verão e quando pensamos que o Verão chegou, o Inverno instala-se antes de ter terminado o Outono. 

Já tinha trocado as voltas ao armário, arrumado o biquini e as toalhas de praia. Desde finais de Agosto que não voltava aqui. Mas é bom voltar a sentir a brisa, o calor e os pés na areia, voltar à nossa praia preferida, ter um areal inteiro para brincar, rebolar, fazer yoga, puder juntar o sol, o vento, a areia e a água num só dia. 

O corpo que já se vai habituando à roupa e os pés que já não sabem onde estão os chinelos, foram até à praia em modo despedida. O sol aquece estes dias de Outono para lembrar que, nos dias mais cinzentos, ele roda no mesmo sentido, por cima das nuvens, por cima de nós.

Outubro será sempre um mês de regressar, de trazer calor para dentro de casa, de deitar fora os trapos velhos e tricotar peças novas, de semear intenções, de trocar ideias, de deixar cair as folhas secas no chão, de quebrar padrões. Por isso é tão bom este sol de Outono, que nos aquece o corpo e nos devolve com mais energia aos dias frios que se aproximam. 

Bem-vindo Sol de Outono. 


Da aldeia
com amor,
Belinda







Quando a nossa casa está em obras parece que também na nossa cabeça começaram a partir paredes, a derrubar estruturas, a alterar divisões e a abrir buracos.

Mas o desconforto de ter a casa ou a cabeça e o corpo em obras é mais tarde recompensado quando colocamos as coisas em sítios novos, quando nos arrumamos de maneira diferente e quando deitamos fora o que está a mais e deixamos de ter sempre as coisas no lugar que achávamos ser o certo. 

Destruimos muralhas, construimos novos telhados, abrimos os portões, as portas e janelas que dão acesso cá dentro. Iluminamos as divisões onde não queríamos entrar, pedimos licença, limpamos o pó, as teias de aranha, tiramos os macacos do sótão e plantamos flores em vasos esquecidos, fazendo entrar o sol onde havia escuridão. Completamos ciclos, trancamos algumas portas e ficamos com a sensação de casa arrumada, coração feliz.

Gosto de reencontrar-me através dos objetos e dos lugares que já conheço, de arrumar o que ficou fora do sítio, de lavar a roupa que ficou pelo chão, de dar amor às coisas e, normalmente depois disso, vem sempre uma felicidade imensa de novos começos, de querer fazer as coisas melhor.

Cuidar da nossa casa é também uma forma de cuidarmos de nós, regar as plantas é dar de beber à nossa sede, varrer o chão que pisamos é olhar com humildade para baixo e rendermo-nos ao que é superior a nós.


Seduzimo-nos, enamoramo-nos de nós próprios, fazemos amor com todas as partes do nosso corpo. Lavamos a alma e abrimos o coração, enterramos os pés e viajamos com a cabeça nas nuvens. Abanamos com o vento e sacudimos o cabelo, desenleamos os nós e voltamos ao lugar de onde partimos. O cansaço transforma-se em sabedoria e a altivez perde a vez para a humildade e lá fora o mundo está precisamente como deveria estar, do lugar de onde nunca saiu. 

Da aldeia
com amor,
Belinda

1. Fotos tiradas pela Mel 2. Fruta de Outono 3. Praticar yoga 4. Levantar cedo 5. Celebrar o Equinócio 6. Casa de Banho nova 7. Cuidar da casa 8. Ver a vida no céu 9. Cuidar do jardim


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A vencedora do passatempo é a Patrícia Bejinha!!! Parabéns e obrigada por participar!

"Nesse balão dava oportunidade à minha filha de escolher o destino, e com certeza seria um sítio doce onde fosse obrigatório comer gelado depois do almoço e outro depois do jantar, todos os dias!"



1. Malas, chapéus e rendas
2. Monte Sahaja
3. Figos
4. Mais figos
5. Colheitas na horta
6. Retiros
7. Caminhos novos
8. Padaria em Zambujeira do Mar
9. Brincar na terra



Conheci a Rita nestas andanças de blogues. Fui ver o seu trabalho e gostei muito. Simples e tão bonito. Percebe-se a dedicação e o amor em cada peça. Pensei que seria uma boa oportunidade para fazer um passatempo, com algo tão bonito e feito à mão por alguém. Por isso gostava de vos convidar a viajar neste balão. Para onde viajavam com os vossos sonhos?

"A Rita é uma rapariga que gosta de pintas! Nasceu e foi criada numa aldeia pequena. Lá em baixo corria um rio. Estudou para ser professora. Gosta de sol na pele e vento no cabelo. Inspira-se nas montanhas que vê da janela e nas ruas que percorre a pé. Perde-se nas papelarias e retrosarias. Gosta de cores e padrões. Desenha e cria as suas peças. Simples. Como ela. Há dias em que a sua cabeça anda à roda com tantas ideias. Outros nem tanto. Não há planos. Há materiais arrumados em caixas que de repente saltam das prateleiras e ficam espalhados pelo chão. Tecidos, linhas e agulhas. Papéis, tintas, goivas e colas. Tesoura, lápis e fitas.  No fim, volta tudo para o lugar e ficam as peças que as suas mãos criaram sem tempo e com o coração. Sweetheart é o nome do projecto da Rita que começa com a frase "When nothing is sure everything is possible", que continua com "growing up" e onde todas as peças são feitas sem regras e com as tuas coordenadas!"

Para participares neste passatempo e puderes ganhar esta tela:

1. Faz um comentário neste post (com o nome de seguidores do facebook) e diz-nos para onde viajavas neste balão

2. Faz like na página da Sweetheart e na minha mercearia

3. Partilha publicamente o passatempo

Só podem deixar aqui um comentário. Participa até às 00h do dia 31 de Agosto de 2014.
O vencedor será escolhido pelo random.org.

Da aldeia,
com amor,
Belinda

O verão trocou-nos as voltas. Os amigos, que há muito estavam longe, convidaram-nos a ir em direção diferente ao que estamos habituados. Aceitámos o convite para ver o pôr do sol e o nascer de uma lua cheia num lugar mais que bonito, tomar banhos de mar, comer legumes colhidos na hora, frescos e cheios de energia vital, fazer yoga, adormecer e ouvir Seu Jorge ao longe num festival que acontece por aqueles lados mas escolhendo antes ficar na companhia dos amigos e da lua. Ainda sinto um pequeno frio na barriga quando avisto ao longe tamanho ajuntamento de pessoas, músicas e tantas outras coisas, mas ir com a minha familia ao mesmo lugar que, noutros tempos ia com os amigos, é uma espécie de "voltar ao lugar onde fomos felizes" mas encontrar diferentes formas de ser feliz no mesmo lugar. O verão, esse sabe sempre bem, seja ele onde for.