O dia em que fiz 30 anos

É meio dia e meia hora e o bolo já está a sair do forno. Viro-o para um prato e vou a correr buscar uma base bonita para o colocar, invento, corto papel vegetal à pressa e coloco o bolo em cima de um tronco de madeira cortado com a folha de papel vegetal por baixo. Pensei que não era possível ter um bolo de aniversário pronto muito antes da hora da festa. Aos 20, encomendava os bolos na padaria do torrão, aos 25 fazia os meus bolos já com a ajuda dos convidados que acabavam sempre a decorar o mesmo, e aos trinta tenho o bolo pronto ao meio dia e meia hora.

Tomo banho muito antes da hora marcada, não comprei roupa para a ocasião, como já vem sendo hábito nos hábitos que alterei, visto uma e outra t-shirt e nenhuma me parece bem, lembro-me que existe uma que só vesti uma vez. Fica bem com as calças, visto-me e vou buscar a M., tenho quase tudo pronto. Falta só fazer uma sangria e a festa pode começar. 

A lista dos convidados não existe, fui convidando quem ultimamente está mais próximo e claro ficam sempre alguns de fora, os que estão mais distantes, os que não podem porque estão em Lisboa e os que não podem porque estão cansados (como eu os entendo), esses gosto que me digam que não e que respeitem o seu ritmo, fazer festas a uma quinta-feira tem destas coisas, com isso eu já contava, mas não queria festejar os 30 no dia 22 ou 23 de Junho se os celebro a 20 de Junho. A lista que não fiz podia ter sido maior, porém acabo por convidar, não por agradar mas porque quero que aquelas pessoas estejam aqui. 

Os convidados começam a chegar. O meu amigo da escola secundária que não avisou que vinha ou que supostamente chegaria atrasado, chega a horas, traz-me um presente e abraça-me. Cúmplices como nas aulas de TLB, a mandar bilhetinhos com dissertações filosóficas e a não fazer caso da aula do professor João, já estou feliz porque ele veio. Chegam os restantes, abraços e beijos, a M. a querer colo e eu a tentar que toda a gente se sente a petiscar. Tento ficar sentada na mesa a conversar mas não consigo, chegam mais alguns, é  bom saber que têm tempo para vir até aqui, celebrar comigo os 30. Começamos a petiscar, o frio começa-se a sentir e sou obrigada a abrir um presente que adivinhei mesmo antes de o abrir, uma sweat-shirt azulão linda da Carvalhal Surf School. As sardinhas estão boas de sal e o vinho está na mesa. Estou feliz. A minha mãe preparou uma boa açorda de alho, o meu pai assa as sardinhas com um amigo para não se sentir tão deslocado (afinal de contas os convidados estão todos na casa dos trinta). Seguem os parabéns e dois sopros de velas, o meu e o da M. Uma garrafa de champagne e uns quantos pratos por lavar. Termina a festa, estou rodeada de amor, começo os trinta, assim, não os imaginava de outra forma. 

5 comentários:

  1. :)) ah que bom texto para me situar, para me fazer regressar a mim mesma, a como sou e ao que interessa. Às vezes, só às vezes (e porque algum acontecimento o provocou) preciso deste beliscão externo. Mas bem, o comentário não é suposto ser sobre mim, mas sobre ti, e o teu começo dos 30. Que belo começo e que belo ser humano que tu só podes ser Belinda. Beijo do tamanho do mundo. A ver se começo, dentro em breve, os meus 33 assim ;)

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  2. Muitos parabéns, não só pelo aniversário mas também pela coragem de mudar de vida. Eu e o marido bem sonhamos mas por enquanto não temos condições para realizar esse nosso sonho.

    Um beijinho grande e que o sol sempre sorria nos vossos rostos.

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  3. Obrigada a todas! É bom ler-vos e reler-vos

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