O primeiro gelado da M. 
A primeira vez pode sempre ser a mais interessante porque as seguintes nunca sabemos quando vão acontecer. Não costumamos dar doces, rebuçados ou chupas, nem nada semelhante à pequena M., mas desta vez apeteceu-me comer um gelado e comer um gelado com ela. Adorámos, claro, mas  não é um hábito para repetir muitas vezes, pelo menos enquanto for a mãe a comprar...
É meio dia e meia hora e o bolo já está a sair do forno. Viro-o para um prato e vou a correr buscar uma base bonita para o colocar, invento, corto papel vegetal à pressa e coloco o bolo em cima de um tronco de madeira cortado com a folha de papel vegetal por baixo. Pensei que não era possível ter um bolo de aniversário pronto muito antes da hora da festa. Aos 20, encomendava os bolos na padaria do torrão, aos 25 fazia os meus bolos já com a ajuda dos convidados que acabavam sempre a decorar o mesmo, e aos trinta tenho o bolo pronto ao meio dia e meia hora.

Tomo banho muito antes da hora marcada, não comprei roupa para a ocasião, como já vem sendo hábito nos hábitos que alterei, visto uma e outra t-shirt e nenhuma me parece bem, lembro-me que existe uma que só vesti uma vez. Fica bem com as calças, visto-me e vou buscar a M., tenho quase tudo pronto. Falta só fazer uma sangria e a festa pode começar. 

A lista dos convidados não existe, fui convidando quem ultimamente está mais próximo e claro ficam sempre alguns de fora, os que estão mais distantes, os que não podem porque estão em Lisboa e os que não podem porque estão cansados (como eu os entendo), esses gosto que me digam que não e que respeitem o seu ritmo, fazer festas a uma quinta-feira tem destas coisas, com isso eu já contava, mas não queria festejar os 30 no dia 22 ou 23 de Junho se os celebro a 20 de Junho. A lista que não fiz podia ter sido maior, porém acabo por convidar, não por agradar mas porque quero que aquelas pessoas estejam aqui. 

Os convidados começam a chegar. O meu amigo da escola secundária que não avisou que vinha ou que supostamente chegaria atrasado, chega a horas, traz-me um presente e abraça-me. Cúmplices como nas aulas de TLB, a mandar bilhetinhos com dissertações filosóficas e a não fazer caso da aula do professor João, já estou feliz porque ele veio. Chegam os restantes, abraços e beijos, a M. a querer colo e eu a tentar que toda a gente se sente a petiscar. Tento ficar sentada na mesa a conversar mas não consigo, chegam mais alguns, é  bom saber que têm tempo para vir até aqui, celebrar comigo os 30. Começamos a petiscar, o frio começa-se a sentir e sou obrigada a abrir um presente que adivinhei mesmo antes de o abrir, uma sweat-shirt azulão linda da Carvalhal Surf School. As sardinhas estão boas de sal e o vinho está na mesa. Estou feliz. A minha mãe preparou uma boa açorda de alho, o meu pai assa as sardinhas com um amigo para não se sentir tão deslocado (afinal de contas os convidados estão todos na casa dos trinta). Seguem os parabéns e dois sopros de velas, o meu e o da M. Uma garrafa de champagne e uns quantos pratos por lavar. Termina a festa, estou rodeada de amor, começo os trinta, assim, não os imaginava de outra forma. 



















Visitar um lugar. No meio do silêncio, dois cães guiam-nos até à barragem, A chuva da noite permitiu uma manhã fresca e molhada, nada melhor para uma invernosa como eu ter vontade de saltar da cama e ir passear. Foi uma boa maneira de me despedir dos 29. Venham os 30.
 
Definir objectivos de vida. Se há coisa que não faço e que todos os dias desejo fazer é uma horta. Mas uma horta só minha e dele, sem vir o meu pai regar ou a minha mãe apanhar as ervas daninhas. Saber o que plantar, como regar, quando apanhar, quando semear, ... Juro-vos que este é um dos meus grandes objetivos de vida. Também desejo ter mais filhos e sei que não é sustentável viver no campo, com filhos e sem horta, por isso vou começar a deitar mãos à horta, literalmente.




 
 
Baba Ghanouj (puré de beringelas)
 
Puré feito por mim (adaptado do livro Cozinha Divina do Chakall)
 
Ingredientes:
5 beringelas cortadas ao meio e passadas pelo forno
4 dentes de alho
sumo de 1 limão
4 colheres de tahini
sal e pimenta
 
Preparação:
Triturar, temperar e guardar no frigorífico.
 
É um excelente acompanhamento ou simplesmente para um petisco de fim de tarde com queijo de cabra e tostas integrais e um bom vinho branco. 
 


Ir a uma médica com a M. não por ser necessário, mas porque queremos saber a opinião de uma pessoa especializada. Encontramos nesta médica tudo aquilo que já sabemos e que sentimos, cuidar da nossa filha da forma mais natural possível. Sair do consultório com um grande sorriso no coração e confiar cada vez mais em todas as decisões que temos vindo a tomar. A mim enche-me de orgulho não só o pai que escolhi para a minha filha como também a filha que nos escolheu como pais.





                                                         (origem)

 Esta casa é simples, como eu gosto. Tem flores, peças em madeira de cor natural, mapas e pessoas. Nestas fotos um jantar kinfolk.