Mercadito da Melinda

Depois de ver algumas fotos do mercadito da carlota, fico a pensar que a "crise" não é para mim sinónimo de ajudar quem mais precisa ou de pedir a quem mais tem. Quem precisa vai continuar a pedir e quem não precisa vai continuar a consumir. 

"Vamos ali comprar um vestido da Knot e levamos um frasquinho de grão para os mais necessitados." Que estranho conceito de solidariedade. Eu posso consumir o que me apetecer mas tu limitas-te a pedir alimento. 

A "crise" deveria ser um meio para as pessoas evoluírem, se tornarem mais conscientes, mais ligadas à natureza e menos ligadas aos bens materiais. A crise deveria fazer com que partilhássemos um carro, uma casa, uma sopa, um brinquedo, umas meias, um abraço. Não, a crise faz com que os que têm mais deem aos que têm menos. E assim todos uns acima dos outros. Eu tenho e tu não. 

A minha filha não usa roupas do mercadito da Carlota, usa roupas usadas por outras crianças, usa roupas feitas pela avó com restos de outros tecidos, usa, uma ou outra vez, roupas que a mãe compra, mas não tem tudo de marca e muito menos tem o que está na moda. E assim tem sido com livros e brinquedos, de outras crianças e para outras crianças. Não é uma questão de "crise" é uma questão de expansão da consciência.

Certo que, esta é apenas a minha forma de evolução e a minha forma de educar uma criança. E, como todos sabemos ninguém está certo e ninguém está errado, as pessoas vivem da forma que muitas vezes escolhem. Eu escolho viver assim. Com pouco de tudo e muito de nada.


Na fotografia a M. usa a fralda de fora
uma camisola em 2.ª mão da Zara e
 umas calças feitas pela avó do norte
Quem quiser roupa de criança basta vir aqui a casa ao mercadito da Melinda ;)


20 comentários:

  1. tão bom que tive de partilhar.
    de repente, fizeste-me lembrar daquela crónica do antónio lobo antunes "os pobrezinhos" :))
    beijos.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. ah envia-me essa crónica, nao sei qual é. Obrigada pela partilha. É bom que se leia mais do que pipocas pepas e afins... :)

      Eliminar
  2. adorei este artigo... escreveste bem e partilho da tua opinião. acho que isto é como tudo, há meios, há tendências, há imagens, há valores, há prioridades... e tudo isto representa muitas vezes um mundo diferente dentro daquele mundo onde todos vivemos. mas também escolhemos fazer parte ou não desses outros mundos. cada qual faz o que quer, cada qual tem as suas prioridades, cada qual gasta o dinheiro onde quer, e nós sentimo-nos bem onde queremos e onde achamos que nos devemos sentir. sei onde me iria sentir bem, aí nessa mercearia :) e como dizia a rita no facebook, tem muito a ver com os valores que são transmitidos, e esses independentemente dos mundos deveriam ser transversais e a favor de uma sociedade melhor e não de desigualdades cada vez mais profundas.

    ResponderEliminar
  3. Tenho uma filha de 18 meses e partilho a 100% a tua filosofia. Posso-te dizer que há muita gente que partilha as coisas, nao se importa e vê como absolutamente normal (haja crise ou nao) mas também me passou de me perguntarem "e tu aceitas roupa usada?" como se isso fosse pecado ou motivo de vergonha.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não é vergonha se nos sentirmos verdadeiros com o que fazemos. A minha filha irá, sempre que houver, usar roupa de outras crianças. Acho que é sustentável para nós e para o mundo, que se precisa evoluído. :)

      Eliminar
  4. É isso mesmo. A minha filha também tem fabulosas peças, em terceira mão, do Mercado das Primas, que passam ao Mercado das Primas seguinte. Até se desfazerem. Ecologia, paz e amor.

    ResponderEliminar
  5. Leio o seu blogue há algum tempo, mas nunca comentei...
    Porém hoje, apetece-me dizer, que gosto do seu blogue, gosto de si e daquilo que escreve... continue a inspirar-nos, sempre! :)

    Beijinhos
    Sónia

    ResponderEliminar
  6. Escrevo-lhe apenas para lhe agradecer o que escreveu e que partilho da sua opinião, porque às vezes é difícil exprimir uma opinião menos positiva em relação a iniciativas que são tão aclamadas. Claro que os meus filhos vestem roupa usada, ou mesmo comprada, sem nunca ter dispendido mais, com uma peça de roupa para eles, por causa de uma etiqueta. A minha filha mais velha está a entrar na adolescência e posso dizer-vos que nesta idade é que se colhem os frutos de ter tido uma educação contra o desperdício e contra os gastos obscenos com roupa. Continue inspirada!

    ResponderEliminar
  7. Que bom ler-vos. Ás vezes penso que estou para aqui a falar sozinha e afinal não. É bom saber que dizemos a verdade e que a verdade não é só nossa, é partilhada.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Adorei ler o que para mim já não é novidade...que bom que é conhecer-te!! :)

      Eliminar
    2. Que bom conhecer-mo-nos e entendermo-nos tão bem!

      Eliminar
  8. Olá Belinda. Cheguei até aqui pelo blog da Catarina, porque não resistì à tentação de conhecer a autora de um pensamento tão tocante como o teu. Subscrevo cada palavra do teu texto e acho grandioso transmitires tais valores a quem quiser ler e agarrar esta essência para a vida. Por isso, e porque eu não conseguiria escrever melhor e também porque de forma alguma te quero retirar os "direitos de autor", venho pedir autorização para partilhar o teu texto no meu blog, com os devidos créditos, é claro. Beijinhos e força.

    ResponderEliminar
  9. Margarida, obrigada! Tb náo sou dona de texto nenhum, pode partilhar à vontade, desde que sinta estas palavras como suas. A inspiração vem de um lugar comum, não é minha nem é sua. Não precisa pedir autorização (Está totalmente permitida e agradecida toda a reprodução ou transmissão da informação que contém este blog.) Beijinhos!

    ResponderEliminar
  10. Ah... que refrescante ler o seu post! Obrigada! Ainda bem que alguém dá voz aos nossos pensamentos que, no meu caso, ficam muitas vezes recalcados por este consumismo que paira sobre nós! A minha filha também faz parte daquelas que se veste muito bem no Mercadito das Primas... e das Amigas!

    ResponderEliminar
  11. Partilho desta filosofia de vida! Temos que viver mais a vida e as crianças vão ser mais felizes aprendendo aquilo que mais importa, ser feliz.Adorei :)

    ResponderEliminar
  12. Percebi a mensagem e de certo modo há já algum tempo que havia pensado no mesmo. Como percebi que é adepta de roupa usada, vou aproveitar o post e atrever- me a divulgar a página Da Maria em https://www.facebook.com/pages/Da-Maria/165820013573747?ref=hl

    ResponderEliminar
  13. Muito bem! concordo em pleno com essa linha de pensamento,simples e despretensiosa,manias à parte (que é coisa com a qual não posso). Tenho uma filha de quase 20 meses,que usa muita roupa emprestada das primas e outras oferecidas mas que já foram usadas por outras meninas,filhas de amigas minhas. Nem a minha filha fica menos bonita,confortável e feliz por as usar,nem eu fico menos embevecida por a ver com estas roupas. Felicidades para "A Venda" e para a família :)

    ResponderEliminar