Ontem celebrámos o sol com o dia mais pequeno do ano e a noite mais longa. Agora resta-nos celebrar a família. Estes dias fazem-me sentido assim, sem correrias, o fogo é convidado a aquecer-nos, os sonhos de abóbora da minha mãe não têm tempo de arrefecer, os presentes gosto de abrir só depois da meia noite, embora este ano pondere abri-los só no dia 25 de manhã, assim a M. dorme serena e tem o dia todo para puder brincar. Este ano como nos outros fizémos também os nossos presentes de Natal que irei mostrar-vos mais tarde. Nestes dias recordo os que estiveram comigo e para mim no ano que passou, enviando-lhes altas vibrações e boas energias. Quero o mesmo para eles que quero para mim. Liberdade, amor e consciência. Um Natal feliz para todos e um ano novo cheio de celebrações. Fotografia de Marta Sofia Guimarães.
A Marta é uma mãe que quer contar histórias de partos. A Marta perguntou-me se eu queria contar a nossa história para o seu blog, o Ovo e eu disse-lhe que sim. Partilho porque espero que a minha história contagie outros pais e mães. Acredito na força do parto em casa e na força do parto natural assim como acredito na força de todas as mães ou futuras mães. Sei que o mundo será um lugar melhor quanto menos intervenção existir no nascimento de um bebé. É nisso que acredito verdadeiramente. 






































                                                                            (Origem)
Já aqui disse muitas vezes que gosto de coisas fora de moda, que não contenham luxos e que sejam cheias de histórias. Que prefiro as pessoas genuínas e os projectos simples como este e este. A ideia original partiu dos Humans of New York, mas acho que depois dos Human of Porto esta ideia se podia espalhar pelo mundo inteiro, eu iria adorar ter disponibilidade e coragem para fazer um Humans of Alentejo. Mais do que paisagens adoro fotografar pessoas, mas para isso elas também tem de querer ser fotografadas e esse é o meu ponto crítico, coragem para lhes pedir uma pose. De qualquer forma fica aqui a ideia, se alguém se quiser juntar... Acho mesmo interessante esta forma de ver os humanos, tal e qual eles são.
    1. Mensagens escritas no quadro
    2. Carros antigos
    3. Aulas de baby yoga
    4. Árvore de Natal com palavras inspiradoras

































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(origem)



Do que eu gosto é da simplicidade das casas. Estas casas parecem trazer aquilo que já não fazia falta noutro lugar e dar-lhe uma nova vida. Depois gosto das plantas que trazem a natureza para dentro de casa. Gosto do ar arrumado mas des.pre.ocupado de quem não se ocupa com luxos ou com compras novas e utiliza o que tem à mão.

Os dias são pequenos. As noites são para dormir. Ando em falta com esta janela do mundo. O tempo em que não estive aqui, passei-o com a coisa mais bela do mundo, a minha família. Tinha saudades de casa e deles. Fazer jantar, arrumar as roupas, passear e ter tempo. A mercearia está entregue em boas mãos, a reabertura foi um sucessso e eu estou feliz pelas pessoas que vieram ter conosco à espera de confiança e honestidade, também era isso que procurávamos. O sucesso deles também é o nosso, porque queremos que esta casa esteja a funcionar por muitos e muitos anos e eu vou sempre fazer de tudo para que a essência da casa se mantenha. Para os novos taberneiros isso é possível porque conhecem a casa como ninguém. Agora tenho de ir, porque a coisa mais bela do mundo está à minha espera para jantar.   





O melhor do meu dia. Ao passear na nossa aldeia, um vizinho ofereceu-nos uns ramos de Bela Luísa. Vamos secar e fazer chá num domingo que o frio não nos deixe sair de casa. O melhor do meu dia foi receber uns ramos de Bela Luísa na rua.

"No final do dia. antes de fechar os olhos e ceder ao cansaço, fazemos um exercício: escolher o melhor do nosso dia. Fazemos as pazes com o que correu mal, aceitamos as respostas que ainda precisam de tempo, acalmamos os medos e as angústias e guardamos apenas o melhor. 
Podem ser horas de festa ou apenas um instante de silêncio. "O melhor do meu dia" é uma fotografia feita de letras em que ficamos sempre bem. É essa a memória que queremos guardar. 
É a essa a força que queremos para o dia seguinte: adormecer com um sorriso." A ideia é daCatarina e da Ana.


O melhor do meu dia. Estar com a M. com tempo e sem horas marcadas. Ela adormecer no meu colo e eu deixá-la ficar. Nada existe com tamanho valor. O melhor do meu dia foi ela.

"No final do dia. antes de fechar os olhos e ceder ao cansaço, fazemos um exercício: escolher o melhor do nosso dia. Fazemos as pazes com o que correu mal, aceitamos as respostas que ainda precisam de tempo, acalmamos os medos e as angústias e guardamos apenas o melhor. 
Podem ser horas de festa ou apenas um instante de silêncio. "O melhor do meu dia" é uma fotografia feita de letras em que ficamos sempre bem. É essa a memória que queremos guardar. 
É a essa a força que queremos para o dia seguinte: adormecer com um sorriso." A ideia é da Catarina e da Ana























Escolhas. Escolher o que nos faz bem e o que precisa mais de nós, arriscar, lembram-se? Quando pudemos escolher é porque podemos ser mais felizes. Escolhi estar mais perto, escolhi ter mais tempo, escolhi ser mais livre. Escolhi também o desapego. O desapego de um lugar onde fui muito feliz mas que para isso tive de abdicar do que queria ter mais perto, a minha família, o meu lar, aquilo que construí mais com o meu coração do que com o meu dinheiro. O meu sonho, esse foi realizado da melhor maneira possível, sem olhar a lucros ou a tostões. Trabalhei com o coração sem esperar muito em troca a não ser dar vida a um espaço que também se tornou a minha casa. Fico mais feliz por evoluir e não ter medo de deixar para "outros" aquilo que era "meu", porque sei que nada é para sempre e porque acredito que são mais felizes aqueles que não carregam nada nas suas costas. Esse lugar vai continuar a sentar nos mesmos lugares as mesmas pessoas, as pessoas que me ajudaram a fazer esta casa, o freguês de todos os dias que vinha e não precisava pedir, pois eu já sabia de cor o seu vício, o vício de conviver e de estar com os amigos, o freguês que chegava de longe e pedia uma açorda de beldroegas e partia feliz de volta à sua casa. A todos eles eu agradeço publicamente, sem escolher os melhores ou os piores, pois todos eles tiveram algo para me ensinar nesta profissão que reinventei, a de ser taberneira. Agora? Agora é tempo de ser mais mãe e mais mulher daqueles com quem escolhi viver e passar os meus dias, noites e fins de semana. As terças voltarão a ser um dia da semana, um dia de trabalho e as coisas boas vou fazer acontecer todos os dias e vou partilhá-las com vocês com "o melhor do meu dia". Até já fregueses desta minha mercearia.

























Chegou, finalmente o presente que o G. me enviou da Índia. Almofadas e mantas tibetanas. Vou mostrá-las aqui em breve.






























Já sabem que sou uma rapariga fora de moda. Não gosto de sair à noite, nunca bebi gin tónico na vida, não gosto de saltos altos nem de unhas muito pintadas. Prefiro as modas passadas às modas atuais e sempre que posso uso flores na cabeça. Não tenho interesse nas cores da estação. Quando posso vou à cidade, mas assim que volto, fico pelo campo. Não suporto deitar-me fora de horas e se pudesse ia às festas durante a tarde. Prefiro o silêncio e prefiro dançar descalça. Sou deste tempo mas sem ser. Podia muito bem ir ao encontro destas carroças em troca de um pôr do sol, ou em troca da liberdade. Os novos ciganos já existem há muito tempo, eu é que ainda não os encontrei por aí. Vejam mais fotos como estas aqui.























Fizemos estas panquecas integrais de maçã e escutámos a chuva.





























Tirar férias no outono é arriscado. Corre-se o risco de não ter de esperar em filas, de ter sempre lugar onde estacionar e de ter o silêncio como vizinho do lado. Tirar férias no outono é correr o risco de apanhar a brisa fresca da manhã e o sol quente do meio dia. É correr o risco de ter a chuva de quem gosto tanto, mas ter antes o sol sem me aquecer demais e sem a chuva a fazer-me falta. É correr o risco de ver mais verde do que vejo no lugar onde vivo porque a paisagem que mais gosto é aquela que tem essa cor. É ainda correr o risco de ir a lugares desconhecidos e com alturas impróprias para quem não gosta de alturas. É arriscar fechar a Venda aos fregueses, coisa que no tempo dos meus pais e avós não se podia fazer. É correr o risco de ir e voltar com novas ideias e projetos e mais vontade de arriscar. Arriscar a ser feliz.

Uma terça-feira de férias em pleno Outono. (prometo contar um pouco mais destas férias em breve)































Do fim do verão que é melhor que o ínício. Das praias vazias. Dos figos do monte. Da M. vestir vestidos só para dançar. Este já foi, que venha agora o frio e a chuva, já estamos prontos.
As terças habituadas à praia, aos almoços fora de casa, às viagens e aos passeios terminaram, pelo menos para já. O Outono chegou à séria, e eu fico muito feliz por isso, as terças vão voltar a ser em casa ou algures em sítios acolhedores.

Nas últimas terças despedimo-nos de amigos que vão para longe, recebemos outros que vão ficando mais perto. Destralhámos a nossa casa com o que já não nos faz falta e mimámos o pouco que queremos que fique. O verão pedia-nos para sair e o outono pede-nos para ficar. Esta terça foi dia de ficar.





































Desde que conheci o G. que alcancei outra forma de ver as minhas refeições e embora na Venda trabalhe com os pratos fantásticos da minha mãe, por vezes apetece-me ter mais fregueses a experimentar pratos vegetarianos que vou descobrindo com ele. No alentejo comem-se muito os enchidos, as carnes e o peixe, por isso é bom existirem alternativas. Começo sempre por dizer aos meus fregueses que os pratos vegetarianos não são só alface e soja, existem em muita maior variedade do que o peixe ou a carne. As próprias açordas alentejanas são facilmente pratos vegetarianos, talvez por isso goste tanto delas e os meus fregueses também. E quando já não sabemos mais que pratos vegetarianos cozinhar, mandamos alguém para bem longe, como por exemplo, para a Índia, para depois obtermos algum resultado proveitoso: umas sandálias novas e uma receita nova para eu colocar em prática: momos! Momos são agora o nosso prato favorito, queremos momos com tudo. Então cá vai a nossa primeira receita de momos, feita no alentejo. 

Momos de cogumelos e legumes

Ingredientes:
- 2 cenouras pequenas
- 1 beringela pequena
- 5 cogumelos frescos
- sal marinho q.b.
- pimenta branca/preta q.b.
- 2 pedaços de gengibre 
- sumo de meio limão
- 1 dente de alho picado

para a massa...
- 275g de farinha 
- 1/2 colher de chá de sal
- 1,5 dl de água morna
- farinha para polvilhar

para o molho...
- 1 iogurte
- mistura de coentros e alho em pó q.b.
- 1 piri-piri
- azeite q.b.
- sal marinho q.b.

Preparação:
Preparar a massa, amassando todos os ingredientes até a massa ficar macia.
Descascar e de seguida picar todos os legumes, cogumelos e gengibre, colocar num recipiente e temperar a gosto com sal, pimenta branca, preta e regar com sumo de limão. Poderão utilizar outros legumes. 
Depois da massa esticada, fazer bolinhas e estender. Colocar no centro das bolinhas uma colher de sopa do preparado de legumes e fechar, fazendo um saquinho. Cozer a vapor durante 20 minutos. Para o molho mexer todos os ingredientes até ficar homogéneo. Servir com arroz basmati e molho picante. 
 



Acordar assim, almoçar com os amigos até tarde, ir a correr ver o pôr do sol na praia e voltar para casa. O Outono ainda mal chegou e já pede algum recolhimento. 

1. Toalhas brancas bordadas
2. Fazer bolos de cenoura e noz
3. Fazer praia com os avós do norte
4. Tomar banho na rua

































Em Setembro e em modo de dizer adeus ao Verão gosto de ir a Alvalade do Sado, uma pequena vila do concelho de Santiago do Cacém que fica a pouco mais de meia hora de carro e onde se vê uma paisagem quente e dourada própria deste alentejo onde vivemos. É neste mês que se comemora o foral manuelino daquela vila e por isso esta feira serve para reviver essa época. Este ano comemora-se o 503º aniversário desse foral. É uma feira pequena, com artesanato interessante, doçaria local, bebidas e petiscos variados. A mim sabe-me sempre a pouco cada vez que lá vou. Para saberem mais sobre Alvalde do Sado, visitem aqui.