No Outono o tempo pára, as folhas caiem e nós mulheres recolhemos um pouco para dentro de nós mesmas, deixando que o corpo se cubra com essas mesmas folhas que caíram no chão. Acolhemos ideias de um Verão agitado, barulhento, feliz. Abrimos caminhos, mas desta vez em direção ao útero da grande mãe terra. 
O sol ainda é quente, o vento sopra em alguns momentos e leva as palavras a outros cantos. O regresso à rotina faz os dias certos com horas marcadas. 
Nada é permanente e as estações do ano lembram-nos disso mesmo. É tempo de cortar a lenha, guardá-la para os dias mais frios. É tempo de colher os figos, os melões, encher a barriga, adoçar a boca. 
Regressar a casa, ao nosso corpo, ao nosso templo. Fazer das tripas coração para largar o que já não nos serve, como as árvores que libertam as suas toxinas nas folhas para que elas possam cair no chão, desfazer-se e voltar a ser composto. Somos também assim, chão, terra, semente, flor, árvore, vida e morte! 

Que este Outono possa ser mágico e nos traga a sabedoria de sabermos que também é importante o recolhimento, a certeza de que está tudo bem mesmo assim. Que venham de lá esses dias de mais vento e chuva. 

Nos passados meses muita coisa se passou, regresso agora a casa tentando voltar às rotinas antigas e adquirindo novas. Renascendo com a energia do sol que aquece aos poucos. Esta lua cheia mostrou-me tanto de mim e dos outros. Foi intensa, espero que sirva para o desapego, para o reconhecimento, para o amor crescer dentro e fora de nós como flores que se vão abrindo com beleza e verdade, sempre. Espero contar-vos mais sobre este início de ano em breve.

Com amor,
Belinda

Este fim de semana foi em grande! Percebi que estar juntos dos meus filhos me ajuda a ganhar raízes fortes e a desacelerar o coração com tanto estímulo que recebo nos dias que correm... se sou doente por ver, sentir, cheirar e receber esses estímulos, até posso ser, mas a certeza de que a vida na terra é um lugar para se viver de forma sagrada como me ensinou um dia um professor de tantra e sua amada, disso não tenho dúvidas.

Ah! e claro, tenho aqui uma "tribo" pequenina que me apoia muito nesse aterrar. A minha pequena grande mãe que vale por todas as amigas que estão perto e longe.

A Melinda já fez 7 anos! Celebrámos como ela pediu, vestida de Ivy dos Descencentes 2, cabelo pintado de azul, bolo de chocolate (que ela nem gosta mas que acha que os amigos vão adorar) e muuuuuuuita música tola para dançarem. Eu adorei ver tanta criança junta a virar-me a casa do avesso, mas também sei que, eles são os melhores sticks de incenso vivo que existe, limpam toda a energia estagnada, não precisamos de incensos, eles próprios energizam o espaço. 

Boa semana a todos!
Bom trabalho!
Nesta Lua Crescente do Orvalho vamos fazer uma prática meditativa e um encontro com o Corpo-Natureza.
O que vêm os meus olhos, onde caminham os meus pés, o que alcança o meu ouvir/sentir?
Tragam:
* tapete de yoga ou algo semelhante para a prática.
* agasalho, roupa e calçado confortáveis para caminhada.
* algo leve para comer e partilhar no fim.
* objeto de poder pessoal.
* oferendas para a terra-mãe (sementes, água, frutos,...)
Contribuição livre e de coração 
24 de Fevereiro 2018, 17h Grândola
Mais informações:
belindasobral@gmail.com
966439481
msg fb


Amo o Carnaval mas não gosto de "desfiles" A minha filha pediu (muito!) para ir com ela ao desfile de Carnaval e eu, sem ser necessário muito esforço, fui... ainda passei pela loja dos chineses para comprar um vestido e uns sapatos como os dela, mas não me imaginei a desfilar de saltos altos, é coisa que faço mesmo mal. Desisti, segui caminho até casa para nos vestirmos e na viagem lembrei-me que tinha um chapéu de sevilhana guardado no sótão! Lá fomos nós ao desfile, eu ia mesmo para me divertir com ela, dançar e rir. Aproveitei para abanar a preguiça do inverno que tenho no corpo, as dores e as mágoas... para mim ainda é difícil sair para multidões, encontros inesperados de uma vila que às vezes é demasiado pequena e onde nos conhecemos tão bem uns aos outros. Dancei, ri e emocionei-me como faz uma pessoa que tem o coração puro e vê beleza em quase tudo. Assim sou eu, mesmo que às vezes me perca. À noite, ela voltou a insistir para irmos ao baile de Carnaval, e eu com os olhos pequenos de tanto sono, cedi. Aproveitei para dançar mas a música não combinava com o ritmo do meu corpo. Vi-a dançar e nela revi-me nos meus tempos de criança em que dançava sem parar nos bailes da aldeia... o Carnaval é tempo para sairmos da rotina, vestir personagens dos nossos sonhos, e eu que danço tantas vezes sem sequer precisar de sonhar... grata à vida que é tão generosa ao dar-me sinais, a ensinar-me a viver.

Da aldeia, com amor
Belinda

Queridas Mulheres,

Neste momento em que a terra começa aos poucos a despertar e os dias a crescer devagarinho, precisamos ainda que a luz, dentro e fora de nós, se mantenha acesa até os dias frios terminarem, por isso nesta celebração acendemos velas e manifestamos intenções para o novo ano.
A lua estará a aproximar-se da sua luminosidade total (lua cheia) e é bom momento para expressar com amor e beleza o que desejamos.
Tragam velas (pequenas), sementes que queiram deitar à terra (sejam elas de que forma forem) e cristais que queiram colocar uma intenção. Tragam o vosso objecto de poder pessoal para o nosso altar.
Tragam também qualquer coisa para partilhar no jantar.

Dia 27 de Janeiro a partir das 18:00 na Silha do Pascoal, Grândola

Para mais informações, contata-me:
email: belindasobral@gmail.com
tlm.:966439481
Sejam bem vindas Peregrinas!
Com muito amor!
Belinda



A vida por aqui mudou tanto. Nestes últimos anos vivi momentos tão difíceis quanto empoderadores, e fui convidada a questionar toda a minha verdade interna e externa: não serei suficientemente boa, não fui boa mulher, boa mãe, boa filha, boa irmã, boa amiga, não cuidei, onde me deixei para trás, onde fiquei esquecida, quem me esqueceu realmente, o que me revelam estas sombras?

Dizem que quando nasce um filho, nasce uma mãe, renasce uma mulher. O nascimento do meu segundo filho fez com que eu renascesse, não só enquanto mãe, mas também enquanto filha e assim revivesse toda a minha história de vida. 

Neste últimos anos estive "doente" e nesse processo vi toda a minha vida desmoronar-se. A maior parte das noites tinham sido passadas em branco e tinham trazido muitas visões desadequadas mas também algumas reveladoras. O isolamento, a falta de nutrição (em muitos sentidos) e o cansaço tinham ajudado nesta descida ao inferno onde vasculhei dentro de mim todos os sentimentos mais escuros, mais medonhos. Olhei-os e confrontei-os. Carreguei nos braços a dor. Com coragem, amor e, especialmente com a ajuda dos pequenos seres de quem sou mãe, consegui fazer de um ano ao contrário um ano cheio de despertares que agora se revelam e se encaixam aos poucos nesta teia que parecia não fazer sentido.

Neste último ano perdi o que achava ter como mais certo na minha vida e ainda com os meus 33 anos fiquei completamente nua e despida numa estrada escura, fria, lamacenta, cheia de buracos, espinhos e nos braços carregando um peso enorme num caminho que parecia não ter fim. A verdade é que a mulher selvagem que habita aqui dentro do meu peito e que gosta de andar nua e descalça fez dessa travessia no escuro uma peregrinação até aos mistérios da vida, da minha própria história de vida. 

O rebuliço e a agitação do Verão fizeram-me esquecer que cá dentro estava algo que doía, que estava ferido. Nessa euforia subi sozinha à montanha, literalmente. Quando lá cheguei dancei, cantei e celebrei o meu ser nesse lugar onde me pude reconectar, longe de todos os que até ali tinham sido um apoio e, perto de outros que, mesmo sendo desconhecidos e distantes, quis chamar de minha tribo, pelo menos durante aqueles dias sentia que muitas daquelas pessoas estavam alinhadas com os meus sonhos e desejos mais profundos, com algo maior e cósmico que estava ali a acontecer. Quando voltei vi que tinha um mundo imenso à minha frente e que as oportunidades eram tantas que nem sabia por onde começar. 

Retomei a casa com a pele aquecida pelo sol, com as mágoas que a água do mar tentou lavar numa ou outra tarde de Verão. Renasci de uma Primavera onde hibernei em vez de florir. Devagarinho, o Outono obrigou-me a ganhar consciência da densidade dos dias, mais pequenos, mais escuros, mais frios, altura em que mudei as coisas de sítio, pintei paredes de lavado, deitei fora o que já não tinha mais lugar no local onde estamos. E nesse recolhimento fui observando que havia na escuridão uma imensidão de pequenas luzes a mostrarem-me que nada tinha sido deixado ao acaso e que a vida era tão mais sábia em mostrar-me que o que eu tinha de fazer era apenas confiar. 

As verdadeiras amizades chegaram, nem sempre no momento que parecia ser o certo, muitas estavam longe, algumas não vieram e eu também não fui. Outras procurei, acenei mas senti que tomavam o seu rumo, confusas e baralhadas com tudo o que estava acontecer, dessas protegi-me. Outras senti que estavam há tanto tempo à espera de um abraço meu que tardou em chegar. Outras não saíram do lugar onde as guardo e outras ainda que vou encontrando por estes dias de Inverno em que o sol volta aos poucos a ganhar força.

Com esta descida ao meu submundo, regressei, com arranhões, com mazelas, com cabelos brancos, mas mais sábia, mais empática para com o mundo à minha volta, mais corajosa, deixando para trás um diagnóstico que me fizeram crer existir, procurando e talhando caminhos alternativos e que levam mais tempo a obter resultados. Aprendi que, por vezes também temos de recorrer a químicos e que, neste mundo de corre corre, onde não há sequer tempo para a doença se revelar como o principio da cura, onde o importante é sermos saudáveis, luminosos, produtivos, esta é uma medicina tão importante como todas as outras nas quais eu verdadeiramente acredito, como a homeopatia, a acupuntura, a medicina antroposófica e tantas outras que me ajudam nesta minha descoberta, contudo os químicos não deixam muito espaço para a catarse tantas vezes útil e necessária nas nossas vidas. Também procurei rezos, orações, mantras e tudo o que mais houvesse para me voltar a encontrar, lembrando que não quero mais mascarar feridas e que é nesta vulnerabilidade que me redescubro, é nesta entrega profunda e nesta mostra de mim que me aproximo mais de mim e dos outros. 

E é assim que aos poucos volto a reconstruir, não o castelo em que vivia, mas um nova realidade onde semeio intenções com o coração mais puro e lavado. Para que o meu bem, seja o bem de todos, sendo esse o meu mais profundo desejo para 2018. 

Da aldeia, com amor
Belinda