Amo o Carnaval mas não gosto de "desfiles" A minha filha pediu (muito!) para ir com ela ao desfile de Carnaval e eu, sem ser necessário muito esforço, fui... ainda passei pela loja dos chineses para comprar um vestido e uns sapatos como os dela, mas não me imaginei a desfilar de saltos altos, é coisa que faço mesmo mal. Desisti, segui caminho até casa para nos vestirmos e na viagem lembrei-me que tinha um chapéu de sevilhana guardado no sótão! Lá fomos nós ao desfile, eu ia mesmo para me divertir com ela, dançar e rir. Aproveitei para abanar a preguiça do inverno que tenho no corpo, as dores e as mágoas... para mim ainda é difícil sair para multidões, encontros inesperados de uma vila que às vezes é demasiado pequena e onde nos conhecemos tão bem uns aos outros. Dancei, ri e emocionei-me como faz uma pessoa que tem o coração puro e vê beleza em quase tudo. Assim sou eu, mesmo que às vezes me perca. À noite, ela voltou a insistir para irmos ao baile de Carnaval, e eu com os olhos pequenos de tanto sono, cedi. Aproveitei para dançar mas a música não combinava com o ritmo do meu corpo. Vi-a dançar e nela revi-me nos meus tempos de criança em que dançava sem parar nos bailes da aldeia... o Carnaval é tempo para sairmos da rotina, vestir personagens dos nossos sonhos, e eu que danço tantas vezes sem sequer precisar de sonhar... grata à vida que é tão generosa ao dar-me sinais, a ensinar-me a viver.

Da aldeia, com amor
Belinda

Queridas Mulheres,

Neste momento em que a terra começa aos poucos a despertar e os dias a crescer devagarinho, precisamos ainda que a luz, dentro e fora de nós, se mantenha acesa até os dias frios terminarem, por isso nesta celebração acendemos velas e manifestamos intenções para o novo ano.
A lua estará a aproximar-se da sua luminosidade total (lua cheia) e é bom momento para expressar com amor e beleza o que desejamos.
Tragam velas (pequenas), sementes que queiram deitar à terra (sejam elas de que forma forem) e cristais que queiram colocar uma intenção. Tragam o vosso objecto de poder pessoal para o nosso altar.
Tragam também qualquer coisa para partilhar no jantar.

Dia 27 de Janeiro a partir das 18:00 na Silha do Pascoal, Grândola

Para mais informações, contata-me:
email: belindasobral@gmail.com
tlm.:966439481
Sejam bem vindas Peregrinas!
Com muito amor!
Belinda



A vida por aqui mudou tanto. Nestes últimos anos vivi momentos tão difíceis quanto empoderadores, e fui convidada a questionar toda a minha verdade interna e externa: não serei suficientemente boa, não fui boa mulher, boa mãe, boa filha, boa irmã, boa amiga, não cuidei, onde me deixei para trás, onde fiquei esquecida, quem me esqueceu realmente, o que me revelam estas sombras?

Dizem que quando nasce um filho, nasce uma mãe, renasce uma mulher. O nascimento do meu segundo filho fez com que eu renascesse, não só enquanto mãe, mas também enquanto filha e assim revivesse toda a minha história de vida. 

Neste últimos anos estive "doente" e nesse processo vi toda a minha vida desmoronar-se. A maior parte das noites tinham sido passadas em branco e tinham trazido muitas visões desadequadas mas também algumas reveladoras. O isolamento, a falta de nutrição (em muitos sentidos) e o cansaço tinham ajudado nesta descida ao inferno onde vasculhei dentro de mim todos os sentimentos mais escuros, mais medonhos. Olhei-os e confrontei-os. Carreguei nos braços a dor. Com coragem, amor e, especialmente com a ajuda dos pequenos seres de quem sou mãe, consegui fazer de um ano ao contrário um ano cheio de despertares que agora se revelam e se encaixam aos poucos nesta teia que parecia não fazer sentido.

Neste último ano perdi o que achava ter como mais certo na minha vida e ainda com os meus 33 anos fiquei completamente nua e despida numa estrada escura, fria, lamacenta, cheia de buracos, espinhos e nos braços carregando um peso enorme num caminho que parecia não ter fim. A verdade é que a mulher selvagem que habita aqui dentro do meu peito e que gosta de andar nua e descalça fez dessa travessia no escuro uma peregrinação até aos mistérios da vida, da minha própria história de vida. 

O rebuliço e a agitação do Verão fizeram-me esquecer que cá dentro estava algo que doía, que estava ferido. Nessa euforia subi sozinha à montanha, literalmente. Quando lá cheguei dancei, cantei e celebrei o meu ser nesse lugar onde me pude reconectar, longe de todos os que até ali tinham sido um apoio e, perto de outros que, mesmo sendo desconhecidos e distantes, quis chamar de minha tribo, pelo menos durante aqueles dias sentia que muitas daquelas pessoas estavam alinhadas com os meus sonhos e desejos mais profundos, com algo maior e cósmico que estava ali a acontecer. Quando voltei vi que tinha um mundo imenso à minha frente e que as oportunidades eram tantas que nem sabia por onde começar. 

Retomei a casa com a pele aquecida pelo sol, com as mágoas que a água do mar tentou lavar numa ou outra tarde de Verão. Renasci de uma Primavera onde hibernei em vez de florir. Devagarinho, o Outono obrigou-me a ganhar consciência da densidade dos dias, mais pequenos, mais escuros, mais frios, altura em que mudei as coisas de sítio, pintei paredes de lavado, deitei fora o que já não tinha mais lugar no local onde estamos. E nesse recolhimento fui observando que havia na escuridão uma imensidão de pequenas luzes a mostrarem-me que nada tinha sido deixado ao acaso e que a vida era tão mais sábia em mostrar-me que o que eu tinha de fazer era apenas confiar. 

As verdadeiras amizades chegaram, nem sempre no momento que parecia ser o certo, muitas estavam longe, algumas não vieram e eu também não fui. Outras procurei, acenei mas senti que tomavam o seu rumo, confusas e baralhadas com tudo o que estava acontecer, dessas protegi-me. Outras senti que estavam há tanto tempo à espera de um abraço meu que tardou em chegar. Outras não saíram do lugar onde as guardo e outras ainda que vou encontrando por estes dias de Inverno em que o sol volta aos poucos a ganhar força.

Com esta descida ao meu submundo, regressei, com arranhões, com mazelas, com cabelos brancos, mas mais sábia, mais empática para com o mundo à minha volta, mais corajosa, deixando para trás um diagnóstico que me fizeram crer existir, procurando e talhando caminhos alternativos e que levam mais tempo a obter resultados. Aprendi que, por vezes também temos de recorrer a químicos e que, neste mundo de corre corre, onde não há sequer tempo para a doença se revelar como o principio da cura, onde o importante é sermos saudáveis, luminosos, produtivos, esta é uma medicina tão importante como todas as outras nas quais eu verdadeiramente acredito, como a homeopatia, a acupuntura, a medicina antroposófica e tantas outras que me ajudam nesta minha descoberta, contudo os químicos não deixam muito espaço para a catarse tantas vezes útil e necessária nas nossas vidas. Também procurei rezos, orações, mantras e tudo o que mais houvesse para me voltar a encontrar, lembrando que não quero mais mascarar feridas e que é nesta vulnerabilidade que me redescubro, é nesta entrega profunda e nesta mostra de mim que me aproximo mais de mim e dos outros. 

E é assim que aos poucos volto a reconstruir, não o castelo em que vivia, mas um nova realidade onde semeio intenções com o coração mais puro e lavado. Para que o meu bem, seja o bem de todos, sendo esse o meu mais profundo desejo para 2018. 

Da aldeia, com amor
Belinda


Queridas Mulheres,

Após algum tempo de paragem, eu e muitas das mulheres que me acompanham, sentimos há já algum tempo, a necessidade de voltar aos nossos círculos. Então parece que chegou a hora, agora que o movimento do Verão começa a abrandar e começamos lentamente a voltar às nossas casas, a nós mesmas, convido-vos a reunirmos em círculo para celebrar a chegada do Outono, para celebrar o regresso aos nossos círculos. Este circulo irá acontecer durante a lua das colheitas, quarto crescente.

Assim, este primeiro encontro será em minha casa e consoante o tempo, decidiremos na altura se vamos para o campo. Como vai ser na Silha do Pascoal, podemos ir a pé dar um passeio e voltar para jantar no conforto da minha casa.

Passaremos juntas o final da tarde e início da noite. Convido-vos a jantarmos juntas e para tal, cada uma irá trazer um ingrediente para confecionarmos uma sopa de Outono maravilhosa. Para a sopa iremos tentar trazer ingredientes da época e, de preferência de origem biológica ou local. Cada uma irá dizer o ingrediente que quer trazer.

Peço-vos que tragam roupas ou adornos com as cores da estação: vermelho, castanho, laranja, amarelo.

Fiquem à vontade para trazer amigas, mães, irmãs, avós. São todas benvindas!

Dia 30 de Setembro a partir das 17:00 na Silha do Pascoal.

Para mais informações, contata-me:
email: belindasobral@gmail.com
tlm.:966439481



Bem-hajam!
Belinda

Desta vez a M. teve uma festa de anos diferente do que estávamos habituados... Um bolo decorado e delicioso feito pelas mão da Pão com Chocolate, uma taça de pipocas, batatas fritas, chouriço assado na fogueira, cerveja e vinho para os adultos e um arroz doce feito pela avó, a fruta não faltou, a única coisa que ainda guardei resistência foram as gomas, mas parece que ninguém sentiu falta delas... Pediu-me uma festa do filme Frozen, e eu pensei logo: NÃO, por favor! Mas a seguir mandei calar a aversão na minha cabeça e disse: Sim, filha, claro, a mãe faz! Eu não sou muito dada a brilhantes, a filmes da Disney e a coisas de princesas, mas isso sou eu... A minha filha tem os gostos dela e só tenho que respeitá-los... A avó fez-lhe um vestido, eu e o pai montámos um cenário simples com os bonecos do filme, o avô cortou lenha para a fogueira, o tio tratou do vinho e transportou as crianças para a festa. Ainda consegui fazer um bolo sem glúten para uns amigos e fiz ainda um pudim de requeijão e frutos secos do livro da Miss Vite . Recusei levar brinquedos para a festa, eles teriam de brincar uns com os outros, fazer rodas e cantar canções, não lhes faltaria ar livre para dar asas à sua imaginação, correr e pular. Eu, claro, fiquei de rastos, mas se não fizer isto agora, faço quando?!... Eles crescem depressa demais e quando olhamos já foram à vida deles e já não estão mais ali debaixo das nossas saias.


Noutro dia dei por mim a amamentar em público, mas um pouco às escondidas... passados alguns instantes apercebi-me do que estava a fazer e saí dali, sentei-me num local vísivel, sem medos e onde quem passasse podia perfeitamente ver o que eu estava a fazer... não queria chocar, nem ofender ninguém, muito menos chamar a atenção, queria só ser eu, fazer aquilo que eu sei e acredito, sentar-me a amamentar tranquilamente o meu bebé...

amamentar em público não é um acto de ofensa ou de loucura, é um acto natural de beleza, de amor... e por isso têm de existir mais loucas como eu a fazê-lo para que se torne comum, banal, simples e natural... por vezes penso na forma como muitas mães se sentem desconfortáveis e o que isso pode trazer de menos bom para a amamentação... podendo até comprometê-la nos primeiros tempos.

Se um dia me virem a amamentar em público, não fiquem admirados, nem me façam uma festa... eu só estou a amamentar o meu filho e quero fazê-lo em paz e em liberdade, onde quer que eu esteja e onde quer que seja necessário eu fazê-lo.... e vou fazê-lo para que mais mães o possam fazer, para que a minha filha o possa fazer sem vergonha e sem tabu... para que as mulheres possam ser livres de amamentar ou não em público... sem julgamentos.

E eu que até tenho um peito grande, posso dar nas vistas, mas na verdade o que preocupa mesmo é se estou a nutrir o meu bebé num momento de profundo amor e partilha...

Agradeço a todas as mulheres que o fizeram na minha frente, principalmente quando eu era menina... o que contribuíu muito para eu hoje cuidar dos meus filhos.
Feliz ano velho que tanto me ensinou.

Comecei o ano de 2015 com a certeza que ia ser mãe pela segunda vez. Passei uma gravidez a fazer mais do que devia, dei aulas de yoga a grávidas, cuidei da Mel e dos amiguinhos, levei-a à praia todas as vezes que me pediu e tirámo-la de uma escola que não gostávamos para ficar com ela a tempo inteiro. Recebi o Sebastião nos meus braços da forma que mais desejei, sem romantismos é verdade, porque é sempre rápido demais, mas mais lindo e transformador não podia ser. Abracei mais pessoas, fiz novas amizades, também me desiludi com algumas que na verdade não são mais do que reflexos das minhas sombras e por isso as quero voltar a abraçar um dia destes. Dei muitos mergulhos, fiz naturismo com a minha família, passeei por Sintra, Mértola, Évora, Serra da Estrela, Gerês e Costa Vicentina. Renovei o blog pensando que ia ter mais tempo para ele. Enganei-me, agora só tenho tempo para os míudos e para mim pouco sobra. Levei a Mel a uma nova escola. Gostámos e vamos ficar até que finalmente possamos abrir as portas do Jardim Alfazema. Cheguei atrasada ao casamento do melhor amigo dos tempos de estudante. Fui a círculos de mulheres onde me senti acarinhada e nutri a minha essência. Fiz um dos melhores cursos da minha vida, tornei-me doula de mim mesma. Fizeram-me tia da Leonor que é mais um encanto da família. Li mais livros do que pensei e menos dos tantos que desejo ler. Vi concertos de Jazz e de Músicas do Mundo, prometi não mais voltar aos concertos do meo arena. Inscrevi-me num curso de 3 anos que vou começar muito em breve. Adoeci em vésperas de Natal, fiquei boa, passei o Natal em Évora com a família, a Mel adoeceu depois. Ficou boa. Passámos de ano com os amigos no Maria Mar Surf and Guest House . O meu iphone não aguentou as festas e parece ter morrido. O Sebastião é um verdadeiro comilão, também já é apaixonado pela sua mãe mas ainda não sabe.

Sobre 2016, conversamos em 2017...
Feliz ano novo.